A “segurança teórica” e a insegurança na prática A “segurança teórica” e a insegurança na prática

Diversos, Notícias | 2 de dezembro de 2013

Muitas empresas se vangloriam de sua performance de segurança. Entretanto, entre o discurso e a prática, habitualmente existem algumas centenas de milhas de distância. Com uma mão, pratica a “segurança teórica” e com a outra, a insegurança na prática é o que mais se vê. A Regap, neste aspecto, diga-se de passagem, sempre foi uma referência. Mas a memória de muitos é curta, outras pessoas esquecem e outras ainda mudam e o sistema persiste.

A Regap tem uma contribuição relevante na história dos acidentes do Sistema Petrobrás. Uma rápida retrospectiva mostra o grande número de vítimas e acidentes que tivemos na refinaria. Um dos mais graves que ocorreu no final de 1999 deixou 12 trabalhadores queimados e dentre esses, cinco morreram. São números. Mas, além desses números, estão pessoas traumatizadas, mutiladas e com sequelas para o resto da vida.

Com um histórico deste, esperava-se que a gerência da Regap tomasse atitudes mais contundentes na área da segurança. Mas o que vemos é a “segurança teórica”, com ferramentas de gestão e políticas de brindes e pontos em SMS. Existem até aqueles que desfilam diariamente com seus “bótons” e outros apetrechos. Mas, no dia a dia, na rotina, a pressão é imensa. O desmonte da manutenção trouxe péssimos resultados para operação e segurança da refinaria. Mesmo assim, os gráficos e registros espelham uma falsa realidade e promovem muita gente a cargos e outras esferas.

No entanto, é só sair do ambiente dos gestores e visitar qualquer uma das áreas e se comprovará a triste realidade. O silêncio paira e a insegurança serpenteia em todas as unidades. Aliás, “justiça” deve ser feita. Quando temos uma visita de gerentes da sede ou seus asseclas a coisa muda de figura: correrias de última hora, recolhimento de lixo que há meses adubam e germinam a incompetência e o desleixo dos gestores, solicitações de urgência às contratadas que nunca são fiscalizadas e fazem o que querem dentro dos limites da Regap. Estas ações realmente acontecem e a maquiagem é muito “bem feita” nesta hora. Em recente visita à Regap um gerente da sede percebeu um desvio grave em um visor de uma das caldeiras. Tomou as providências. Muita gente acha que ele exagerou, pois, aqui estava “tudo bem”. Ainda no final do ano passado ocorreu um vazamento enorme de GLP em plena tarde no meio de semana. E, mais uma vez, disseram que “aquilo” não foi nada. Todo mundo já se esqueceu. Depois vieram outros acidentes de paradas e partidas. “Coisas sem importância”.

Há poucos dias, fomos informados que mais dois acidentes se juntaram a tudo isso. Nem dentro dos próprios setores onde as ocorrências se sucedem a informação circula. Mas os gráficos, os painéis de controle, os aceites e concordâncias, “estão cada vez melhores”. Tudo dantes como no quartel de Abrantes!
Durante o serviço realizado próximo à via pública para construção da nova adutora de água bruta, uma retroescavadeira rompeu um cabo de energia da Cemig e este ficou no chão energizado. A área ficou isolada até que a concessionária chegasse e reparasse tudo. Recentemente, houve curto-circuito em uma gaveta de painel elétrico na nova subestação do Diesel II. Ninguém também ficou “sabendo”. “Coisas simples”.

Os gráficos “vão bem” e assim caminha a humanidade na Regap. Também já foi propalado pelo atual gerente geral, exemplos de empresas que não geram acidentes. Um deles citado foi de uma refinaria visitada no Japão. Vinte anos sem acidente! Fácil! Registros de acidentes dependem dos conceitos vigentes. É bom ressaltar, que aqui, já tivemos algumas práticas desonestas e corruptas, e é muito provável que lá, possam existir. No Japão, quando se descobre alguma falcatrua de algum funcionário, eles costumam chegar ao limite de praticarem o “haraquiri” (suicídio). Aqui, quando alguma falcatrua é descoberta, aposenta-se com honras e regalias, preservando-se os que ficam. Trabalhadores não podem ser tratados como parafusos e outras peças. Refinarias rentáveis, mercados modernos e automatização dos modos de produção, não podem ser alegados para voltarmos à escravidão.

Fica o alerta, uma coisa é a teoria, outra é a prática!

Sindipetro/MG

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