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Diversos, Notícias | 28 de fevereiro de 2014

Recentemente, foi presenciado mais um exemplo da discriminada forma de lidar e tratar os trabalhadores terceirizados. Dois funcionários da empresa contratada Mazzini foram barrados na Portaria Principal (P1) da Regap, ao pretenderem participar de uma pelada marcada por seus colegas na quadra de futebol society da refinaria, após o horário de trabalho (17h).

Entendam o caso: ambos trabalhadores da contratada estão lotados na Usina Termelétrica Aureliano Chaves, embora sejam funcionários de uma empresa que também presta serviços para a refinaria, fazendo parte do pacotão de prestação de serviços de limpeza e manutenção predial dos Serviços Compartilhados. Os funcionários da Mazzini que trabalham na Termelétrica não têm acesso liberado pelas catracas da P1, embora constantemente adentrem a refinaria pela P3, já que toda a gestão da atuação dessa empresa está centralizada no interior da Regap (administração, compras, estoque de materiais e equipamentos, etc).

A pelada foi organizada por funcionários que não são funcionários da refinaria, mas, sim, da termelétrica. Entretanto, nenhum deles teve problemas para participar da recreação (petroleiros e alguns terceirizados), exceto por nossos dois desafortunados colegas. Foi solicitado à Segurança Patrimonial que fosse liberada a entrada destes, devidamente justificada. Porém, o pedido não foi permitido pela supervisão da vigilância. Petroleiros que negociavam a entrada propuseram a assinatura de algum termo que fosse, mas o técnico foi irredutível.

Entendam AINDA mais: a Mazzini, tal como ocorreu em outros setores, é herdeira de um fim de contrato dramático por parte da antiga M&A. Os funcionários tiveram atrasos nos pagamentos de salários no purgatório entre a falência de uma empresa e a contratação de uma nova gata. Os funcionários tiveram de seguir a via judicial para obter a multa rescisória da saudosa M&A. Os funcionários ainda não viram a cor de horas extras efetuadas pouco antes da falência da tão amada M&A.

Entendam e reflitam: os funcionários da Mazzini, os mesmos que não puderam adentrar a Regap para jogar um futebol amistoso, passam por uma situação que nem de longe respeita o sagrado conceito da isonomia. Os funcionários dessa empresa, ao contrário de TODOS OS OUTROS funcionários (próprios e terceirizados), que trabalham ou passeiam pela Usina Termelétrica Aureliano Chaves, não almoçam no refeitório da unidade. Seria cômico se não fosse trágico, mas esses nossos companheiros têm de almoçar na refinaria.

Entendam, embora não dá pra entender: os funcionários da Mazzini almoçam na refinaria, devido ao preço da alimentação nesta unidade ser menor. Os funcionários da Mazzini possuem horário de almoço diferenciado (12h30 às 13h30) do resto da força de trabalho, o que impossibilita que esses trabalhadores usufruam de outras benesses do Sistema Petrobrás como a academia no interior da usina.
Os funcionários da Mazzini perdem grande parte de seu tempo de descanso no deslocamento entre unidades, no horário de almoço.

Entendam e reajam: as histórias que envolvem companheiros terceirizados são muitas vezes tristes e nos parecem revoltantes. Mas, será que revoltam mesmo? Se revoltam, não o fazem ao ponto de gerar uma reação concreta da nossa parte. Temo dizer aos meus amados coleguinhas de categoria que isso pode não ser revolta de verdade.

 

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