Frente Brasil Popular Minas prepara grande ato de 1° de Maio Frente Brasil Popular Minas prepara grande ato de 1° de Maio

Diversos, Notícias | 27 de abril de 2016

Depois de cinco dias de caminhada na região dos Inconfidentes de Minas, a Marcha em Defesa da Democracia e contra o Golpe chegou na terça-feira (26) a Belo Horizonte. Mais de 1.500 integrantes dos movimentos sociais, organizados pela Frente Brasil Popular Minas, percorreu quase 200 quilômetros, saindo de Ouro Preto, no dia 22, passando por Mariana, Catas Altas, Santa Bárbara e Sabará. Eles dialogaram com a comunidade do bairro Alto Vera Cruz, denunciando o golpe em curso no país e a perda de direitos que isso representa para os trabalhadores. Às 14 horas, todos se descolaram em direção ao Palácio da Liberdade, sede do governo do Estado.

Por volta das 17h30, os manifestantes, que passaram pelas avenidas dos Andradas e Brasil, se uniram a militantes, dirigentes de movimentos sindical, sociais e populares e lideranças políticas que fazem parte da Frente Brasil Popular Minas, e ocuparam os jardins do Palácio, exibindo faixas, cartazes e gritaram palavras de ordem. Uma comissão de 25 representantes de entidades, entre elas a Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), CTB, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), União Juventude Socialista (UJS), Levante Popular da Juventude e Marcha Mundial de Mulheres (MMM) se reuniu com o governador Fernando Pimentel. Após a reunião, os manifestantes encerraram a marcha realizando um ato político e cultural na Praça da Liberdade, com a apresentação de músicos como a cantora Titane, os violeiros Wilson Dias e Rubinho da Viola.

Em entrevista coletiva à imprensa e nas falas durante o ato político cultural, representantes das entidades garantiram que as mobilizações e atos em defesa da democracia e contra o golpe vão continuar e revelaram que apresentaram ao governador Fernando Pimentel as demandas dos movimentos sindical, sociais e populares, que incluem a defesa da democracia e a participação popular na administração pública.

Os movimentos também deram a sinalização de que continuarão a sua luta independentemente da agenda do governo, mas que é muito importante que o governo se some a essa tarefa da defesa da democracia. E a próxima ação acontecerá no 1° de Maio.  A próxima ação da Frente Brasil Popular Minas Gerais é o ato político-cultural do 1° de Maio, domingo, Dia do Trabalhador, com concentração das 10 horas, na Praça Afonso Arinos, e marcha até a Praça da Liberdade, onde será lançado um Acampamento Permanente da Democracia. “Vamos mostrar nossa disposição de irmos para a trincheira inviabilizar um eventual governo de Michel Temer e Eduardo Cunha”, alegou Sílvio Neto, coordenador do MST.

“Este será um dos mais importantes da história. Os direitos e conquistas de trabalhadoras e trabalhadoras estão ameaçados por 57 projetos de lei e pelas propostas do PMDB. Não podemos ficar omissos, temos que lutar sempre. Os projetos significam o retrocesso. Eles acabam com os 25% da receita do pré-sal para educação e saúde; entregam a exploração do pré-sal; ampliam a terceirização sem limites; possibilitam a privatização de empresas públicas; extinguem o reajuste do piso nacional da educação. O que está em risco são nossos direitos, as conquistas e o patrimônio do povo brasileiro. É o momento é de ir para as ruas, defender a democracia e lutar contra o golpe”, afirmou a presidenta da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG), Beatriz Cerqueira.

Pauta

Uma pauta de reivindicações das entidades também foi apresentada ao governador Fernando Pimentel, durante a reunião no Palácio da Liberdade. Os manifestantes cobraram que fosse divulgada a íntegra do relatório da auditoria que o governo realizou em 2015 sobre a situação do Estado, que comprova que os governos anteriores não investiram 12% da receita em educação e saúde. Com base nesse documento, apresentado parcialmente após seus três primeiros meses de gestão, Pimentel contestou um conjunto de políticas implementadas no Estado ao longo dos 12 anos de mandatos liderados pelo PSDB. Além disso, questionaram a postura truculenta da Polícia Militar, que continua reprimindo as manifestações dos movimentos sociais, como aconteceu na mobilização da Marcha da Democracia na Samarco, em Mariana; e o acordo com a mineradora, responsável pelo maior crime ambiental da história.

A pauta também incluiu a retomada de doze comissões parlamentares de inquérito (CPIs) que não andaram na Assembleia Legislativa durante o governo do PSDB, a adoção de medidas para frear o aumento do desemprego e a maior participação dos atingidos nas decisões tomadas em relação ao rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG).

“Abrir o Palácio da Liberdade para trabalhadores sem-terra e receber diversas organizações foi uma sinalização importante. Precisamos deixar claro que governabilidade não se constrói só com deputados. Ela se faz também através do empoderamento da participação popular. E é isso que nós viemos aqui legitimamente discutir”, disse, em entrevista coletiva, a presidenta da CUT/MG, Beatriz Cerqueira.

 “Começamos uma marcha da Frente Brasil Popular com o objetivo de defender a democracia brasileira e o Estado Democrático atual, e apresentar as pautas populares ao governo do Estado. Esse objetivo foi concluído com a chegada aqui no Palácio da Liberdade, com o acolhimento da marcha”, afirmou Joceli Andreoli, coordenador nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

CUT

 

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