‘É minha absoluta obrigação resistir’, diz Dilma em BH ‘É minha absoluta obrigação resistir’, diz Dilma em BH

Diversos, Notícias | 23 de maio de 2016

A presidenta afastada Dilma Rousseff participou na sexta-feira (20) da abertura do 5º Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais em Belo Horizonte. Ao chegar ao evento, foi recebida por milhares de manifestantes contrários ao processo de impeachment. Após abraçar diversos deles, fez uso da palavra e não conteve as lágrimas. “Iremos resistir. Eu agradeço a vocês a imensa energia dessa recepção”, disse.

O 5º Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitaisterminou no domingo (22), tendo como principal objetivo discutir a integração do ativismo digital com os movimentos sociais empenhados na resistência em defesa da democracia. Na abertura, Dilma criticou o fim do Ministério da Cultura (MinC) e a possibilidade de redução do Sistema Único de Saúde (SUS). Acusou o governo interino de planejar cortes no Bolsa Família. Reiterou que o processo de impeachment não se justifica e o definiu como golpe

A plateia é de maioria feminina, “como tem ocorrido em tantos atos de resistência”, observa o jornalista Rodrigo Vianna, do blog Escrevinhador. Antes da presidenta, descreve Vianna, Renata Mielli, do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, destaca os interesses internacionais envolvidos no golpe, que chega para “sabotar a integração latino-americana e os Brics”. E afirma: “Talvez esse golpe seja ainda mais terrível que o de 64, porque se desenvolve sob a máscara da legalidade. Voltamos ao governo dos homens ricos, de terno preto”.

Escrevinhador destaca ainda a presença do ex-prefeito de BH e ministro afastado do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias: “Quando Minas se levanta, o Brasil se levanta. Começamos hoje a jornada para levar Dilma de volta à presidência”, disse. Na vez da presidenta, ainda segundo o blogueiro, ela fala com emoção e firmeza que o governo provisório é produto, golpe, ilegítimo e montou ministério de velhos, ricos e brancos, sem negros, e sem mulheres. “A platéia se encanta com essa Dilma mais política e menos tecnocrática”, diz Vianna.

Dilma comparou a política externa do seu governo com a do presidente interino. “Uma vez Chico Buarque sintetizou que a política externa deles é a que fala fino com os países ricos e falava grosso com a Bolívia. Na época, a oposição queria até que invadíssemos a Bolívia. Mas a nossa política externa, que criou laços na América Latina e na África, foi a que tornou o Brasil respeitado internacionalmente”, disse.

A presidenta disse que não vai ficar presa no Palácio da Alvorada e pretende aceitar convites para participar de atos, além de seguir tentando impedir o impeachment no Senado e em todas as instâncias possíveis do Poder Judiciário. “No meu governo e no governo do presidente Lula sempre asseguramos que as pessoas pudessem se expressar mesmo quando eram contra nós, porque damos imenso valor à democracia. Eu temo que um governo ilegítimo, ao tentar implantar certas medidas, só tenha o recurso da repressão para fazê-las viáveis”, disse.

O encontro seria feito com patrocínio da Caixa Econômica Federal. Ontem (20), porém, o presidente interino Michel Temer suspendeu o repasse dos recursos. “Se eles acharam que esse corte iria nos impedir de debater a mídia alternativa, eles não nos conhecem”, disse na abertura do evento Renata Mielli.

O jornalista Washington Novaes, do site Bem Blogado, relata as reações da presidenta afastada à conduta adotada pelo governo interino em vários aspectos. “Dilma disse que o governo golpista já bateu recorde de desmentidos, mas que os desmentidos não convencem, pois eles querem mesmo o corte dos projetos sociais, do salário mínimo, arrocho na Previdência e a redução extrema de recursos do SUS para o privilégio dos planos de saúde privados, Bolsa Família”, diz Novaes. A presidenta alertou para o apoio dos meios de comunicação à tática do interino de falar em “rombo financeiro” para justificar cortes nas áreas sociais. Manifestou preocupação com o futuro do pré-sal e, destaca o blogueiro, classificou a demissão do presidente da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) como mais um gesto de “desrespeito contumaz” à democracia.

Manifestação

Um ato contra o afastamento de Dilma Rousseff estava agendado para quinta-feira (19), mas a data foi alterada após a presidenta afastada confirmar que estaria na capital mineira nesta sexta-feira. Os manifestantes se reuniram na Praça Afonso Arinos, em frente à Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, que está ocupada desde o dia 12 de maio por estudantes contrários ao impeachment. Eles se direcionaram para a entrada do Hotel Othon Palace, onde ocorreu o encontro dos blogueiros.

Após a recepção à presidenta afastada, a manifestação seguiu para a sede da Fundação Nacional de Artes (Funarte). O local está ocupado por artistas contrários ao impeachment desde o último domingo.

A Funarte era vinculada ao recém-extinto MinC e tem como objetivo o desenvolvimento de políticas públicas de fomento às artes visuais, à música, ao teatro, à dança e ao circo. Sua sede nacional fica no Rio de Janeiro e há representações em Belo Horizonte, Brasília, São Paulo e Recife. Na semana passada, o então presidente do órgão, Francisco Bosco, apresentou sua carta de renúncia e justificou sua decisão dizendo não reconhecer o novo governo.

Dilma reafirma que tem fé numa reviravolta no Senado: “É minha absoluta obrigação resistir. Vou lutar contra isso até o fim”. E ironizou a intimação do STF, para que explique por que tem usado a palavra golpe: “Gostei muito, vou fazer um grande esclarecimento; além disso, ninguém pode impedir ninguém de falar em golpe”.

Rede Brasil Atual

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