Privatização da Petrobrás atende exclusivamente a interesses políticos Privatização da Petrobrás atende exclusivamente a interesses políticos

Diversos, Notícias, De que lado você está?, Tribuna Livre | 20 de outubro de 2017

O desmonte da Petrobrás tem sido justificado por diversos argumentos: aumento do endividamento da estatal, perdas financeiras com a corrupção e transformação da companhia em uma empresa integrada de energia.

No entanto, um estudo realizado pelo Grupo de Estudos Estratégicos e Propostas (GEEP) da FUP desconstruiu cada um desses argumentos e, a partir de dados da própria empresa, provou que o desmonte tem servido exclusivamente a interesses do atual governo.

Entre esses interesses estão a entrega do pré-sal e do refino brasileiro à empresas estrangeiras e a destruição da Petrobrás como empresa integrada e indutora do desenvolvimento nacional.

1 – Corrupção e operação Lava Jato

Um dos argumentos da Petrobrás para justificar a privatização da empresa são as perdas com a corrupção. Mesmo sabendo que nenhum valor de corrupção é aceitável, nos últimos três anos, a empresa perdeu R$ 112,4 bilhões com impairments, 18 vezes mais do que as perdas estimadas com a corrupção desde o início da operação Lava Jato (R$ 6,6 bilhões).

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2 – Impairments

Outra estratégia da empresa, já citadas no item 1, são os impairments – ajustes contábeis que consideram a deterioração de ativos em comparação com seu valor de venda. A prática foi introduzida na contabilidade brasileira a partir de 2010 e tem sido utilizada pela Petrobrás para depreciar seus bens além do valor real para justificar, por exemplo, a venda de ativos.

3 – Preço do barril de petróleo

Um fator que tem contribuído para a suposta crise na Petrobrás e que está completamente alheia às questões de gestão ou decisões políticas é o preço do petróleo no mercado internacional, que vem caindo consideravelmente desde 2014. Há três anos, o barril chegou a custar mais US$ 100, em 2016 foi a menos de US$ 40 e, agora, em setembro de 2017, estava girando em torno de US$ 60.

Preço do Brent
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Isso tem afetado todas as petrolíferas do mundo, inclusive grandes petrolíferas como a Exxon Mobil, a Chevron, a Shell e a BP, dobraram sua dívida em dois anos (entre 2014 e 2016). Ao mesmo tempo, a crise do petróleo também tem dado sinais de recuperação, ou seja, um argumento que não serve de justificativa para a destruição de uma empresa.

4 – Dívida da Petrobrás

geep2_cambio_dividaApesar da dívida da Petrobrás ter crescimento muito menor que outras petrolíferas, a atual gestão da estatal brasileira tem feito parecer que o endividamento da empresa é, na verdade, muito maior. Isso porque, a maior parte da dívida da Petrobrás está em dólar (72%) e a variação da taxa de câmbio, no caso de conversão dessa dívida para reais, é que faz parecer que houve um considerável crescimento do endividamento.

 

No quadro à esquerda, é possível ver nitidamente como o crescimento da dívida da Petrobrás acompanha a variação do câmbio. Já no quadro abaixo, a mesma dívida, colocada em Real e em Dólar, aponta que só houve aumento considerável na primeira, em razão justamente do câmbio e da conversão de moedas.

Outro dado importante é que boa parte da dívida atual da Petrobrás é resultado dos investimentos realizados a partir de 2002 nas refinarias, no setor de pesquisa (que resultou na descoberta do pré-sal) e na transformação da estatal em uma empresa integrada de energia.

 

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Privatização da Petrobrás atende exclusivamente a interesses políticos