EDITORIAL – Precisamos falar sobre Eleições EDITORIAL – Precisamos falar sobre Eleições

Opinião | 9 de março de 2018

Após quase dois anos de intensa luta e resistência diante da ascensão de Michel Temer e sua trupe golpista ao poder, é natural que pensemos nas eleições de 2018 como uma oportunidade de estancar essa sangria. Entretanto, em um contexto de estupro da democracia, será que ainda dá para acreditar que teremos o direito a eleições livres e democráticas neste País?
Não se trata de teoria de conspiração barata. Esse processo planejado, articulado e contínuo de retirada de direitos, privatização do bem público e criminalização de setores políticos populares – o qual denominamos golpe – não está submetido à vontade da população. Esse projeto anti-popular só responde aos interesses das velhas elites políticas e econômicas do Brasil, em geral atrelados aos anseios dos grandes conglomerados capitalistas internacionais.
Em resumo: os golpistas não arrombaram esse carro chamado Brasil para depois entregar as chaves para o povo! Nesse sentido, não há dúvida de que a tentativa de impedir Lula de se candidatar por meio de uma perseguição midiática, política e jurídica é uma movimentação clara contra a possibilidade de voltarmos a ter um governo com uma visão minimamente popular. Se esse fosse um problema só do Lula, essa preocupação certamente não se estenderia para além de seus amigos, família e simpatizantes mais apaixonados. O que nos preocupa, no entanto, é que inviabilizar o ex-presidente é prejudicar mais do que uma simples candidatura política – é inviabilizar uma ideia!
É tempo de iniciarmos um intenso debate entre nós, de maneira a pensarmos e construirmos coletivamente candidaturas que representem de fato o nosso lado nessas eleições. Mas, mais do que isso, é tempo de pensarmos o que essas eleições devem significar para todos nós, trabalhadoras e trabalhadores.
Não se trata apenas de correr atrás de votos, mas também de usar microfones e palanques para denunciar o que estão fazendo com nossos direitos e nossa frágil e jovem democracia.
Portanto, não há como pensar as eleições fora desse contexto de golpe, como se as instituições estivessem funcionando. Além da necessidade de constuirmos candidaturas comprometidas com a reversão do quadro atual, precisaremos lutar por uma questão ainda mais básica: o direito de Lula ser candidato.
Trata-se, mais uma vez, de lutarmos em defesa da democracia.

 

Sindipetro/MG

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