EDITORIAL – Com o Supremo, com tudo EDITORIAL – Com o Supremo, com tudo

Opinião | 16 de março de 2018
BRASÍLIA, DF, BRASIL 10.03.2018: MICHEL-TEMER - O presidente Michel Temer, deixa a casa da presidente do STF, (Supremo Tribunal Federal), ministra Cármen Lúcia, após uma conversa entre os dois. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF, BRASIL 10.03.2018: MICHEL-TEMER – O presidente Michel Temer, deixa a casa da presidente do STF, (Supremo Tribunal Federal), ministra Cármen Lúcia, após uma conversa entre os dois. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

A investida da tríade golpista – mídia, parlamento e judiciário – contra a candidatura do ex-presidente Lula à Presidência da República avança a passos largos e sua prisão já é tida como iminente.

Um julgamento em tempo recorde e que instaura uma nova modalidade de justiça no País, em que provas não se fazem mais necessárias se houver convicções por parte dos julgadores. Assim, Lula foi condenado em primeira (12/07/2017) e segunda instância (24/01/2018) em pouco mais de seis meses e, agora, terá os embargos de declaração apresentados por sua defesa avaliados pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) nos próximos dias (após dois meses contando os recursos).

Apesar de a justiça ter se revelado célere quanto ao julgamento dos processos envolvendo o nome do ex-presidente, ela só se faz assim quando há interesse. No caso do julgamento das ações que defendem que a execução da sentença de Lula ocorra apenas após o trânsito em julgado, ainda não há data prevista para sua realização.

Dias depois de receber o golpista Michel Temer em sua casa, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, divulgou essa semana a agenda do Tribunal em abril. O pedido da defesa de Lula, porém, não consta na programação.

Dessa forma, se tiver os recursos negados pelo TRF-4, a “justiça” colocará na cadeia o primeiro colocado nas pesquisas de intenções de voto em 2018 e o ex-presidente que mais contribuiu para a verdadeira justiça no Brasil, que é a justiça social, aquela que combate as desigualdades e as mazelas desse nosso País.

E a possibilidade de recursos contra mais essa ilegalidade são ínfimas, tendo em vista o estado de exceção em que vivemos, aliado a um governo golpista e um judiciário partidário.

Nossa única esperança são as ruas porque juntos somos capazes de intimidar aqueles que golpearam o governo, a Justiça e o povo brasileiro. Foi assim com a Reforma da Previdência, que foi engavetada por causa da pressão do povo. E essa construção que fizemos para barrar o fim da aposentadoria, certamente, é só o início do que ainda podemos fazer pelo resgate da democracia.

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