Descaso da AMS prejudica atendimento em Minas Gerais Descaso da AMS prejudica atendimento em Minas Gerais

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 29 de março de 2018
Fachada do Edifício Ouro Negro, no bairro Santo Antônio, onde funcionava o posto presencial da AMS em Minas (Foto: Nathália Barreto/Sindipetro/MG)

Fachada do Edifício Ouro Negro, no bairro Santo Antônio, onde funcionava o posto presencial da AMS em Minas (Foto: Nathália Barreto/Sindipetro/MG)

Às vésperas de uma cirurgia delicada na coluna, a enfermeira Elane Aparecida Pires da Silva, de 42 anos, foi informada de que a autorização emitida para a realização do procedimento havia sido cancelada. Consequentemente, a cirurgia, prevista para 13 de março deste ano, também estava desmarcada.

Isso ocorreu no dia 9 de março e não houve qualquer justificativa para a desautorização por parte do plano de saúde AMS. Segundo Elane, apenas no dia 12 ela conseguiu a informação de que a cirurgia foi cancelada por problema no relatório médico.

No entanto, esse havia sido o quinto relatório feito pelo médico para a realização da cirurgia. Em seguida, de acordo com a enfermeira, a AMS apresentou uma nova posição: poderia autorizar uma cirurgia diferente da solicitada pelo relatório médico.

“Eu entrei em contato e me pediram um novo relatório porque havia sido autorizada a cirurgia convencional. No entanto, a cirurgia prescrita pelo médico para o meu caso foi a percutânea [cirurgia por vídeo e sem corte]. E devido aos problemas que tenho e a utilização do imunossupressor, não posso fazer uma cirurgia aberta. Preciso que seja o menos invasivo possível”.

Diante da dificuldade, Elane desistiu da cirurgia e fez um novo pedido para ter acesso ao imunossupressor, que usa para tratar um outro problema – a espondilite – e cujo uso foi suspenso para a realização da cirurgia. Ao agendar o procedimento, ela foi surpreendida mais uma vez. “Recebi uma ligação dizendo que não poderiam liberar o imunossupressor porque eu tinha uma internação liberada para a cirurgia que foi cancelada. Eu então liguei para a AMS e me informaram que eu deveria entrar em contato com o hospital onde a cirurgia foi marcada para avisar do cancelamento e pedir a suspensão da internação”, relatou.

O caso de Elane é apenas um dos inúmeros problemas relatados ao Sindipetro/MG relacionados à AMS. A situação parece ter se agravado com o fechamento dos postos de atendimento presencial do plano em Minas, que ocorreu no final do ano passado.

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AMS fecha postos em Minas e deixa usuários sem acesso a serviços

A falta de atendimento presencial também tem ocasionado problemas para a operadora da Usina Termelétrica Aureliano Chaves, Ilnara Santos, de 29 anos. Ela deu a luz ao seu filho em janeiro deste ano e, ao tentar incluir o recém-nascido no plano, não obteve qualquer resposta da AMS.

“Meu filho nasceu em janeiro e, logo em seguida, fiz o pedido de inclusão dele no plano pelo Botão Compartilhado. O prazo de resposta da AMS era de sete dias, mas já estava vencendo os 30 dias que poderia consultá-lo com minha carteirinha e eu ainda não tinha conseguido a inclusão dele. Então, entrei em contato com o Sindicato, que conseguiu o número do cadastro dele e, a partir daí, passei a realizar as consultas. Mas a carteirinha mesmo, eu não consegui até hoje. Primeiro, me mandaram ao posto, que está fechado. Depois me passaram um e-mail onde eu poderia solicitar, mas nunca tive resposta”.

Ainda durante a gravidez, Ilnara descobriu que seu bebê tinha um problema e precisou de atendimento em especialidades não cobertas pelo plano. Nesses casos, a AMS reembolsa o usuário.

No entanto, o pedido de reembolso em Minas só pode ser feito no posto de atendimento presencial (em algumas regiões, há possibilidade de ser solicitado via Botão Compartilhado), fechado no dia 28 de dezembro de 2017 – tanto o da Regap quanto o posto localizado no bairro Santo Antônio, em Belo Horizonte.

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“Estive no posto e me entregaram um papel dizendo que estava temporariamente fechado, mas que seria reaberto no dia 15 de fevereiro. Voltei lá e continua fechado e a gente não consegue nenhuma informação sobre o prazo para reabrir”.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Petrobrás sobre os problemas relatados pela categoria, mas não obteve retorno. O setor repassou a demanda do Sindipetro/MG ao gerente setorial do RH/RRH/RS, Maurício Lopes Ferreira, que também não respondeu.

Sindipetro/MG busca soluções para problemas com AMS

sem-tituloDiante das inúmeras reclamações recebidas, o Sindipetro/MG levou o caso da AMS para o Grupo de Trabalho que discute alterações no Benefício Farmácia. O coordenador do Sindicato, Anselmo Luciano da Silva Braga, que é um dos cinco representantes da FUP no grupo, denunciou o descredenciamento de profissionais, a falta de atendimento presencial e de acesso ao serviço de reembolso e também a falta de um hospital credenciado à AMS em Betim, cidade onde está localizada a maior unidade da empresa em Minas, a Refinaria Gabriel Passos (Regap).

“É uma imoralidade um plano que tem um número tão grande de usuários restringir o atendimento à internet, que é um serviço que não está acessível a todas as pessoas. Ainda que não seja ilegal, é imoral. Além do que, nesses últimos três meses, a empresa deixou de gastar quanto em atendimento ao público? E isso não foi repassado aos usuários. Continuamos pagando a mesma mensalidade para utilizar o plano”, afirmou.

Além das denúncias feitas à Petrobrás no GT do Benefício Farmácia, o departamento jurídico do Sindicato vai entrar com uma ação na Justiça do Trabalho nos próximos dias solicitando o restabelecimento do atendimento presencial da AMS ou a disponibilização de todos os serviços via Botão Compartilhado.

A equipe de comunicação do Sindicato entrou em contato com a Petrobrás, via assessoria de imprensa e via ofício enviado à Gerência de Relações Trabalhistas e Sindicais, mas não obteve nenhum retorno da empresa sobre as denúncias apresentadas.

Governo Temer ataca planos de saúde de estatais

A situação da AMS reflete uma política do governo Michel Temer de retirada de direitos dos trabalhadores. Em outras empresas públicas ou de economia mista, como os Correios e o Banco do Brasil, os trabalhadores também estão enfrentando problemas relacionados ao acesso à saúde.

No caso dos Correios, a categoria entrou em greve no início de março por causa, principalmente, de mudanças propostas pelo governo ao plano de saúde dos trabalhadores.

No entanto, o Tribunal Superior do Trabalho (TST), em audiência realizada no dia 12 de março, autorizou a cobrança de mensalidades e coparticipação no salário bruto da categoria, mas barrou a tentativa de exclusão dos pais dos empregados como dependentes do plano.

Já no Banco do Brasil, a mudança diz respeito aos novos servidores. O edital do concurso mais recente para a instituição prevê que novos empregados não terão direito ao plano de saúde que atende aos demais bancários. A medida atende a uma norma do Ministério do Planejamento, de 18 de janeiro deste ano, de não constar benefícios em editais de novos certames federais.

A mesma norma prevê a implantação de um sistema paritário de contribuição nos serviços de assistência à saúde nos planos de saúde de servidores públicos e de estatais. Isso significa que empresas e funcionários terão de dividir, em partes iguais, os custos com a manutenção dos planos de saúde. Atualmente, as estatais federais pagam uma parcela maior que seus empregados – 75% do custeio, em média.

A medida ainda não atinge os petroleiros, pois o Acordo Coletivo da Categoria (ACT), válido até 2019, garante e que “o custeio de todas as despesas com o Programa de AMS será feito através da participação financeira da Petrobras e dos Beneficiários, na proporção de 70% dos gastos cobertos pela Companhia e os 30% restantes pelos beneficiários, nas formas previstas neste Acordo Coletivo de Trabalho”.

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