Greve dos metalúrgicos  de 68 completa 50 anos Greve dos metalúrgicos de 68 completa 50 anos

Diversos | 13 de abril de 2018

metalurgicos-1Na luta contra o arrocho salarial, metalúrgicos de Minas realizaram a primeira greve do período da ditadura militar e conquistaram 10% de aumento para toda classe trabalhadora

No dia 13 de abril de 1968, aproximadamente 1.200 metalúrgicos da Companhia Siderúrgica Belgo Mineira, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, cruzaram os braços reivindicando reajuste salarial de 25% e melhores condições de trabalho (desde 1964, a classe trabalhadora sofria com uma política de arrocho responsável por corroer mais de 20% do valor médio dos salários).

Desafiando a lei antigreve, aprovada pelo golpe militar de 1964, a categoria criou o Comitê Intersindical Antiarrocho em Minas Gerais e foi responsável pela primeira greve desde o início da ditadura no Brasil. O movimento foi articulado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Belo Horizonte e Contagem que, nesse período, estava sob intervenção do Ministério do Trabalho e se organizava na clandestinidade.

No terceiro dia de paralisação, a Belgo Mineira fez uma contraproposta para um reajuste de 10%, que foi rejeitada em assembleia. A partir daí, a greve passou a ter a adesão dos trabalhadores da Mannesmann, RCA, SBE e chegou também à fábrica da Belgo, em João Monlevade, e à Acesita, no Vale do Aço – somando 15 mil grevistas no Estado.

A mobilização foi ganhando força e balançou a estrutura da ditadura militar, motivando o então ministro do Trabalho, coronel Jarbas Passarinho, a realizar um pronunciamento conclamando a categoria a voltar ao trabalho pois a greve não era justa, legal ou tolerável. Além disso, ele ameaçou intervenção no Sindicato dos Bancários, que acolheu os metalúrgicos grevistas.
No entanto, o discurso teve efeito oposto ao pretendido e a greve se fortalece, fazendo com que o ministro deixasse Brasília para negociar com os trabalhadores em Minas.

metalurgicos4No dia 22 de abril de 1968, na tentativa de intimidar os grevistas, Passarinho participou de uma assembléia da categoria na sede do Sindicato dos Metalúrgicos. Alguns dias depois, fez um pronunciamento em rede nacional onde afirmou que a greve era uma transgressão à lei. Além disso, ameaçou os metalúrgicos de demissão por justa causa e autorizou os patrões a descontarem os dias parados e, se necessário, a buscaram os trabalhadores em casa.

Já no dia 24 de abril, o parque industrial de Contagem foi invadido por cerca de 1.500 policiais militares e as assembléias, a distribuição de boletins e qualquer tipo de aglomeração foram proibidos. No dia 26 de abril daquele ano, os últimos grevistas retornaram ao trabalho.

Porém, para evitar que o movimento grevista se espalhasse, o ministro concedeu reajuste de 10% para a categoria. No dia 1° de maio de 1968, o presidente-militar Costa e Silva assinou um decreto e anunciou a extensão deste aumento para todos os trabalhadores do Brasil.

A greve foi considerada vitoriosa pois trouxe uma melhoria das condições de salário para toda a classe trabalhadora. Por outro lado, ela deu início a uma grande perseguição a membros de comissões de fábricas e sindicalistas, na tentativa de desarticular o movimento operário em Minas.

Homenagem à greve dos metalúrgicos de 1968

Para celebrar a data, o Sindicato dos Metalúrgicos vai realizar uma solenidade no próximo dia 16 em homenagem aos trabalhadores e trabalhadoras que fizeram parte desta luta. O evento, que começa às 19h, terá a participação do governador Fernando Pimentel, da deputada estadual Marília Campos, do ex-senador Nilmário Miranda, do presidente do Sindicato em 1968, Ênio Seabra. Na abertura das atividades, o músico Alexandre Salles e a cantora Emely Salazar vão apresentar uma canção sobre a greve de 68.

Homenagem à greve dos metalúrgicos de 1968

Dia: 16/04

Hora: 19H

Local: Sindicato dos Metalúrgicos de BH e Contagem (Rua Camilo Flamarion, 55, Jardim Industrial – Contagem)

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