Greve dos petroleiros é destaque na abertura do 32° Congresso da categoria mineira Greve dos petroleiros é destaque na abertura do 32° Congresso da categoria mineira

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 23 de julho de 2018
Foto: Mídia Ninja

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A greve dos petroleiros que derrubou o presidente da Petrobrás, Pedro Parente, foi destaque na mesa de abertura do 32° Congresso dos Petroleiros do Estado de Minas Gerais, realizada na última sexta-feira (20), no Sindipetro/MG. O evento contou com a participação do jornalista e autor do blog Conversa Afiada, Paulo Henrique Amorim.

O evento começou com a exibição de um vídeo que resume a greve dos petroleiros em Minas – última base do País a encerrar o movimento. A categoria estava em assembleia no dia 1º de junho – terceiro dia da greve – quando foi surpreendida pela notícia do pedido de demissão do presidente da Petrobrás.

Segundo o coordenador do Sindipetro/MG, Anselmo Braga, essa luta só foi possível graças à adesão e participação dos petroleiros de Minas na construção do Sindicato. “Hoje, nossa taxa de sindicalização beira 90% e é isso que permite que a gente faça essa luta conjunta que fizemos com os movimentos sociais na greve”.

O secretário geral da CUT Minas, Jairo Nogueira Filho, que também compôs a mesa de abertura do 32° Congresso dos Petroleiros também enalteceu a unidade em torno da luta em defesa da Petrobrás e relembrou a história do Quem Luta Educa – movimento criado em 2011 por vários sindicatos e movimentos sociais para fazer frente aos ataques do governo Aécio Neves em Minas contra o maior sindicato mineiro, o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) – para explicar a importância da unidade da classe trabalhadora na resistência.

“E a gente passa por um processo agora muito parecido a nível de Brasil. A gente precisa de dessa unidade e dessa consciência de classe porque a gente sozinho a gente não vai conseguir nada. É com a nossa unidade e a nossa resistência é que a gente vai conseguir reverter isso que a gente vive hoje no Brasil”, disse.

E completou: “E os petroleiros têm uma importância muito grande nisso porque vocês viram aqui o vídeo da greve e é interessante a gente pensar: os caminhoneiros fizeram um movimento interessante porque no início parecia um lockout, depois perdeu-se o controle e virou um movimento muito plural, mas em momento algum a Justiça falou nada sobre multa. Já os petroleiros entraram em greve e no primeiro dia já eram R$ 500 mil de multa, caso a categoria mantivesse o movimento. Aí dá pra gente perceber o medo que eles têm da gente. Porque o Sindipetro em greve furou a bolha e colocou em debate a questão do preço dos combustíveis e a forma de gestão da Petrobrás. E, para além da multa, de forma heróica aqui em Minas, os trabalhadores mantiveram a greve até aquele dia que Pedro Parente caiu e muito por conta de ter mantido a greve aqui em Minas. Então, gostaria de parabenizar todos os petroleiros”.

Também a representante da FUP presente à mesa, Cibele Vieira, citou não só a importância da greve da categoria mas também os frutos imediatos que ela gerou, como a queda de um conselheiro da Petrobrás ligado à Shell, a demissão de Pedro Parente, a baixa nos preços dos combustíveis apesar da manutenção da política de paridade e a recente liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) que proíbe a privatização de empresas públicas sem autorização do Legislativo.

“A gente já tinha aprovado a nossa greve pela redução dos preços da gasolina, diesel e gás de cozinha, pelo aumento da carga das refinarias, pelo fim das importações e pelo fim do desmonte da Petrobrás. E aí estourou a greve dos caminhoneiros e tivemos a ousadia de colocar a nossa greve também naquele momento porque entendemos que: eles estavam no caminho certo, o questionamento era legítimo, mas eles não tinham o acúmulo de entender o porquê isso estava acontecendo. Então, colocamos a questão da redução da carga das refinarias e a questão da política de preços do Pedro Parente. A greve dos caminhoneiros trouxe o assunto, mas quem derrubou Pedro Parente foi a greve dos petroleiros”.

Já a integrante da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Sonimamara Maranho, enalteceu a greve dos petroleiros de Minas e lembrou da importância da categoria na luta popular. “Essa categoria é hoje referência da luta popular porque defender a Petrobrás é um tema que já não é mais só dos petroleiros e petroleiras. Isso tomou uma dimensão de é preciso construir ou reconstruir nossa soberania”. Ela destacou também a importância do pré-sal para o País e os interesses externos nesse bem tão disputado no mundo.

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