História da luta e resistência dos petroleiros no Brasil é tema de discussão em 32º Congresso História da luta e resistência dos petroleiros no Brasil é tema de discussão em 32º Congresso

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 26 de julho de 2018
Foto: Mídia Ninja

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A luta e a resistência da categoria petroleira ao longo da história foi tema da última mesa de debates do 32º Congresso Estadual dos Petroleiros de Minas Gerais, que aconteceu nos dias 20 e 21 de julho na sede do Sindipetro/MG.

O diretor da FUP e do Sindipetro Unificado-SP, João Moraes, apresentou uma retrospectiva da participação dos petroleiros na história do Brasil. Segundo ele, a Petrobrás e a história do petróleo se confundem com a história do País nos últimos 70 anos.

Moraes falou sobre a campanha do petróleo de 1947 – O Petróleo é Nosso – que só conseguiu êxito quando a discussão acerca da autonomia brasileira no setor saiu da elite e chegou para o povo. “A maior conquista dessa campanha foi a construção de alianças e unificação do povo em torno da discussão do petróleo, com a formação de centros de estudos em todo o País, e o começo do debate acerca da criação de uma empresa nacional do petróleo.”

Ele também destacou o protagonismo da categoria petroleira durante a formulação da Constituição de 1988 na discussão sobre energia e direitos trabalhistas e da participação dos trabalhadores petroleiros na defesa da democracia e da nacionalização das refinarias em 1963, antes do golpe militar.

Comparando os golpes de 1964 e 2016, Moraes explicou que o golpe militar teve influência do setor petrolífero. Porém, o golpe que tirou a presidenta Dilma Rousseff da presidência foi diretamente movido por interesse no petróleo brasileiro, o que ele chamou de “golpe petroleiro”.

Greve dos petroleiros de 2018

O petroleiro da Regap Guilherme Carvalho Alves fez uma análise da greve de 2018 dos petroleiros. Segundo ele, a greve foi vitoriosa ao aproveitar a oportunidade aberta pela greve dos caminhoneiros, que ganhou destaque em todo o País. Segundo Guilherme, com o movimento dos petroleiros, foi possível furar a bolha no debate midiático nacional e politizar o movimento paradista dos caminhoneiros, colocando o debate da política de preços adotada pela Petrobrás na mídia.

“Nesse sentimento de vitória e satisfação, venho trazer uma mensagem de otimismo. O objetivo da nossa luta daqui até outubro é colocar um candidato progressista na presidência da república, mesmo sem ter a certeza de que possamos sofrer um novo golpe. Para além da privatização da Petrobrás, temos que dar um passo além, ampliar e explicar para a população essa luta. Não temos alternativa fora disso”, disse.

Também sobre a greve de 72 horas dos petroleiros no fim de maio deste ano, o coordenador jurídico do Sindipetro/MG, Caio Marcondes, afirmou que a decisão do TST – que declarou a greve ilegal e aplicou multa de R$ 2 milhões por dia, por sindicato – foi uma situação sem precedente no Brasil e uma censura prévia ao exercício do direito de greve.

“Foi mais um elemento para nos mostrar exatamente o terreno pedregoso em que estamos pisando na justiça do trabalho. Me preocupa em relação às perspectivas que temos daqui em diante, porque se o exercício do direito de greve é cerceado sob os argumentos que foram dados, podemos perceber a subjetividade e a falta de compromisso do órgão com os direitos fundamentais. Fica a reflexão para o próximo movimento, para que tenhamos sempre muita atenção do ponto de vista jurídico e não tenhamos que lidar novamente com esse tipo de situação. Que possamos passar por cima disso com mais tranquilidade.”

Já o diretor da FUP e do Sindipetro/MG, Alexandre Finamori, refletiu sobre as vitórias da greve dos petroleiros de Minas Gerais, que se uniram na organização e manutenção do movimento.

“A base teve uma participação fundamental nesta greve. Todas as decisões foram tomadas coletivamente, assim como as consequências vão ser assumidas no coletivo. Acredito que houve um grande avanço entre os trabalhadores da base, principalmente da nova geração, que passou a entender a necessidade da luta. Agora precisamos avançar para entender a importância da organização da luta. Precisamos ocupar o nosso espaço na sociedade, pois somos um movimento classista, defendemos todos os trabalhadores, não só os petroleiros. Não estamos em disputa de quem ganha mais, é um momento de resistência do direito de trabalhar”.

Reforma Trabalhista

O coordenador jurídico do Sindipetro/MG também participou do debate e explicou como a reforma trabalhista e a tentativa de aprovação da reforma da previdência são pilares do golpe, assim como a privatização e entrega das estatais.

“Em 2016 houve uma ruptura democrática, um golpe, e nesse sentido abriu um espaço gigantesco para que o capital agressivamente iniciasse uma luta para mitigar direitos de todas as espécies, a começar pelos direitos fundamentais. Esse contexto político também se irradiou para outras vertentes, como o judiciário. O capital tem interesse não só nos nossos recursos, mas também em nossas forças de trabalho. A reforma trabalhista entra nesse contexto”.

 

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