Acidente deixa três trabalhadores feridos com ácido sulfúrico na Regap Acidente deixa três trabalhadores feridos com ácido sulfúrico na Regap

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 10 de agosto de 2018

Três trabalhadores da Petrobrás ficaram feridos em um acidente na tarde da última segunda-feira (6) na Regap, em Betim. Um deles foi encaminhado para o Hospital Mater Dei, em Belo Horizonte, onde até quarta-feira (8) – data do fechamento desta edição de O Petroleiro – ele permanecia internado.

O acidente aconteceu quando um operador e dois técnicos de manutenção acompanhavam o teste de uma válvula do sistema de ácido sulfúrico 98% da U-47. Eles operavam um equipamento “librado” quando houve o rompimento de uma conexão de um Indicador Local de Pressão (PI) próximo ao local de serviço, emitindo um jato de ácido que atingiu todos eles.

O operador Antenor Pessoa Cavalcante sofreu queimaduras nas costas, peito e parte do rosto, além do braço e antebraço esquerdos. Ele também sofreu uma lesão reversível no olho direito, mas não teve as vias aéreas comprometidas. Não há previsão de alta, mas até o último boletim médico seu estado de saúde era estável.

Já os outros dois trabalhadores – ambos da empresa SGS – sofreram queimaduras leves. Um deles foi atendido e liberado ainda na refinaria. Outro foi encaminhado para o Hospital Mater Dei e, após atendimento, foi liberado com atestado médico até quarta-feira (8).

Porém, o médico do trabalho da própria SGS o liberou para voltar ao trabalho no mesmo dia para evitar que a empresa seja punida. Isso porque os contratos com a Petrobrás preveem penalidade para as terceirizadas em caso de acidentes com afastamento.

O coordenador do Sindipetro/MG, Anselmo Braga, esteve no hospital esta semana e está prestando toda a solidariedade aos familiares de Antenor. Também colocou à disposição da família o departamento jurídico da entidade. O Sindicato participou da reunião da Comissão de Acompanhamento de Acidente na terça-feira na Regap e que vai apurar as causas do ocorrido.

Esse foi o nono acidente registrado com empregados da Refinaria em 2018, sendo o segundo com vítima. O primeiro aconteceu em março, quando um operador sofreu uma escoriação no tornozelo ao descer de um dos ônibus da empresa que presta serviço de transporte para a Petrobrás. O acidente foi provocado porque a tampa do assoalho quebrou quando o trabalhador desembarcava do veículo.

Outro acidente

Também na última segunda-feira (6), uma Kombi da empreiteira Manserv pegou fogo dentro da Regap. O incêndio ocorreu no motor do veículo e foi rapidamente controlado com uso de canhão de água e extintores. Ninguém ficou ferido.

Desmonte

A política de cortes de investimentos e privatização de ativos potencializaram os riscos de acidentes no Sistema Petrobrás, principalmente em função da redução de efetivos, da falta de manutenção e da precarização das condições de trabalho.

No ano passado, foram registrados seis acidentes nas unidades da Petrobrás em Minas. Em um deles, registrado na Termelétrica Aureliano Chaves, um um técnico de manutenção sofreu uma lesão no rosto durante atividade em esmeril da oficina da unidade.

Os demais acidentes ocorreram na Regap e envolveram vazamentos de amônia, petróleo em alta temperatura e diesel, em alguns casos até provocando incêndios, mas sem vítimas.

Em pesquisa feita pela FUP com trabalhadores de refinarias, 94% dos 1.180 entrevistados informaram que não se sentem seguros nas unidades. Apenas 170 trabalhadores disseram ter tido algum tipo de treinamento sobre os procedimentos de Segurança e Saúde no Trabalho com Inflamáveis e Combustíveis, como prevê a NR-20.

Denuncie

O Sindipetro/MG tem recebido denúncias de situações de insegurança em diversos setores da Petrobrás. Por isso, o Sindicato reforça a orientação de que o trabalhador que presenciar situações como essas enviem uma denúncia para o e-mail imprensa@sindipetromg.org.br. O anonimato será mantido.

Mergulhador morre em acidente em plataforma

Em nota divulgada à imprensa, a Petrobrás comunicou mais um acidente fatal de trabalho no último dia 3. A vítima foi o mergulhador Athayde dos Santos Filho, 57 anos, da empresa Fugro, que presta serviços para a petrolífera no projeto de expansão da produção da Plataforma de Mexilhão, na Bacia de Santos.

O acidente quando o trabalhador realizava um mergulho, a cerca de 170 metros de profundidade, para manobras de instalação de tubulação no leito marinho.
Segundo informações de petroleiros do Litoral Paulista, a mangueira de oxigênio foi degolada do equipamento de respiração do mergulhador devido a um problema que estava ocorrendo no flutuador da tubulação da plataforma. Dois trabalhadores que estavam com Athayde ainda tentaram salvá-lo.

A Petrobrás declarou que o mergulhador foi socorrido no local, recebeu a assistência emergencial, mas não resistiu. “A companhia já avisou aos órgãos reguladores e vai instaurar comissão de investigação para apurar as causas do acidente”, informou a empresa em nota.
Este foi o quarto acidente fatal este ano no Sistema Petrobrás. Todos com trabalhadores terceirizados. Nos últimos 23 anos, 379 petroleiros perderam a vida em acidentes de trabalho, sendo que 308 eram trabalhadores terceirizados. Ou seja, a cada dez acidentes, oito são com prestadores de serviço.