Multidão sai em protesto contra machismo, racismo e fascismo em BH Multidão sai em protesto contra machismo, racismo e fascismo em BH

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 3 de outubro de 2018

img_1623-1Milhares de pessoas saíram às ruas do centro de Belo Horizonte no último sábado (29/09) para participar de um ato organizado pelas mulheres contra o machismo, o rascismo e o fascismo, representados pelo candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL). Convocada sob a hashtag #EleNão, a manifestação também ocorreu em mais de 200 cidades do Brasil e também do exterior, como nos Estados Unidos, Canadá, Argentina, Chile, Espanha, França, Portugal, Alemanha, Itália, França e Suíça.

Em Belo Horizonte, o ato começou no início da tarde com uma grande concentração na Praça 7. Por volta de 14h, os manifestantes seguiram em passeata até a Praça da Estação, onde foram realizados shows e diversas apresentações musicais. Ao longo da passeata, a população gritava “Ele Não” e entoava paródias em repúdio ao candidato. A categoria petroleira de Minas acompanhou o protesto.

Veja alguns depoimentos sobre a manifestação:

“Foi muito importante ter participado do ato e presenciar a diversidade de pessoas que refletiam a rejeição às ideias do Jair Bolsonaro. Mulheres e homens, adolescentes, jovens, pessoas na melhor idade que demonstravam não ter preconceitos e que almejam um Brasil melhor – economicamente e moralmente”.
Márcia Nazaré Lima – petroleira da Regap e diretora do Sindipetro/MG

“O movimento #elenão é multipartidário. É mais que uma luta contra o candidato Jair Bolsonaro e sim contra aquilo que ele representa: ameaça a democracia e aos direitos humanos. É uma luta feminista e humanitária contra o racismo, a misoginia, a homofobia e xenofobia. É um movimento contra o ódio que ele incita e a favor de mais amor e empatia pelo próximo e pelas minorias”.
Carolina Gazzinelli – advogada e estudante de enfermagem

img_1589“Foi incrível e trágico, tudo ao mesmo tempo! Todas aquelas pessoas, não apenas mulheres, lutando juntas pela sociedade que queremos. Uma sociedade em que exista empatia, em que as pessoas consigam não julgar o outro pelos próprios valores, que consigam separar o interesse próprio do interesse coletivo. Foi lindo e emocionante cantar uma música da nossa infância que diz: “Vamos com você, nós somos invencíveis pode crer. Todos somos um e juntos não existe mal nenhum!”. Se a gente fechasse os olhos dava até para sentir esse refrão tomando forma. Mas a realidade, a todo momento, sinalizava que não teremos um futuro fácil pela frente. Como por exemplo quando uma moça simpática distribuía um panfleto dizendo quem são os políticos a favor da reforma trabalhista e na capa do panfleto havia uma bandeira do Brasil. Ela, sem jeito, explicava que era informativo, que a gente não precisava se preocupar com a presença da bandeira. Quando foi que a bandeira do nosso País se tornou símbolo de segregação e discórdia e uma parte da população perdeu o direito de usá-la? Havia também os sinais dos tempos difíceis em todas as mensagens que recebemos, alertando para o perigo de estar sozinha em uma manifestação pacífica e para, em hipótese nenhuma, andar pela cidade com símbolos da manifestação. Certamente, independente do resultado das eleições, nosso futuro não será fácil. Não se trata apenas de um político fascista, são pessoas que compartilham com as idéias e se satisfazem com o efeito aterrorizante e repulsivo que elas trazem aos outros.Enfim, foi incrível, mas nos preparemos para o trágico”.
Vanessa Carlos – petroleira da Regap

“Eu fui à manifestação porque eu acredito muito na democracia, acredito nas diferenças e não posso compactuar com alguém que não acredita nisso. Eu não posso compactuar com alguém que prega violência e que é contra tudo aquilo que eu prezo: a liberdade aos direitos de qualquer cidadão. Isso é um desrespeito e me agride profundamente. E, além disso tudo, ele é um candidato que nem cabe mais discutir aqui seu pensamento torto, errado e preconceituoso dele, mas é um candidato que não tem nada a apresentar. Então, eu acho que tem opções, não precisa ser uma pessoa de esquerda nem um extremista de direita, mas ainda que a pessoa seja extremista de direita ainda há outras opções. Não se precisa votar naquele que prega o que há de pior que um ser humano pode sofrer e pensar”.
Danielle Pires – confeiteira e publicitária

“Um dos principais motivos que me move a ir para a rua é a ameaça à democracia. Temos uma democracia recente e enfraquecida pelos últimos acontecimentos no País, como o impeachment de uma presidente eleita pelo povo, sem nenhuma comprovação de crime de responsabilidade. E temos ainda 28% da população que se sente representada por um discurso de ódio. Isso tudo é muito preocupante, independente do resultado das eleições. Um outro motivo que me faz ir para a rua, um pouco mais racional que sentimental, é o fato de em uma eleição onde o voto é disputado um a um, ainda haver 6% de indecisos. E estes não estão nas redes sociais debatendo, eles estão na rua. Por isso, precisamos levar este debate para as ruas e tentar capitalizar estes votos contra um vazio de ideias que é o candidato que está em primeiro lugar nas pesquisas”.
Cristina Barroca – jornalista

 

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