“Velha política” perde lugar no Congresso Nacional, mas conservadorismo persiste “Velha política” perde lugar no Congresso Nacional, mas conservadorismo persiste

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 11 de outubro de 2018

Assim como em 2014, a indignação em relação à “velha política” se fez muito presente nas eleições 2018. Partidos tradicionais como o PSDB e o MDB perderam grande espaço no Congresso Nacional, dando espaço a novos partidos políticos.

No caso da Câmara dos Deputados, a bancada do PSDB – a 3ª maior em 2014 – caiu para 9º lugar agora, reduzindo seu número de parlamentares de 49 para 29. Já no caso do MDB, o número de deputados passou de 51 para 34. O PT ficou com a maior bancada do Câmara, com 56 deputados, seguido do PSL de Jair Bolsonaro, que elegeu 52 parlamentares (em 2014, o partido elegeu apenas um deputado).

Outros partidos com mais cadeiras na Casa são PP (37) e PSD (34). A partir de 2019 a Câmara terá representação de 30 partidos políticos, um recorde na história do País.

Para o Senado, o cenário ficou com o MDB na liderança com sete senadores, enquanto elegeu 14 em 2010, última eleição na qual 2/3 do Senado foram renovados. Na sequência, estão Rede (5) e PP (5). O PT perdeu sete senadores em relação às últimas eleições e conta agora com 4. Já o PSDB passou de 6 para 4 e o PSL conquistou 4 assentos na Casa (em 2010, o partido não elegeu nenhum senador).

Políticos tradicionais como Magno Malta (PR), Eunício Oliveira (MDB), Edison Lobão (MDB) e Romero Jucá (MDB) não conquistaram nenhuma cadeira no Congresso. Também políticos com atuação na luta contra as privatizações, como Lindbergh Farias (PT) e Roberto Requião (MDB), não foram reeleitos. Os dois representam uma grande perda para a categoria petroleira, em razão da luta que travavam contra projetos de privatização da Petrobrás e do pré-sal.

O coordenador licensiado da FUP, José Maria Rangel (PT) não se elegeram a deputado federal pelo Rio de Janeiro. Já o diretor do Sindipetro Bahia, Radiovaldo Costa, também não foi eleito deputado estadual, mas ficou como primeiro suplente, podendo vir a ocupar uma cadeira da Assembleia.

Por outro lado, a renovação também trouxe consigo uma maior participação das mulheres na Câmara: 77 mulheres conquistaram um assento, contra 51 na eleição passada. Já no Senado, o número de senadoras se manteve em sete, mesmo número de eleitas em 2010.

Houve ainda um crescimento da representativade das mulheres negras no Congresso e nas assembleias legislativas. Boa parte delas vêm do PSol, partido de Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro assassinada a tiros em março deste ano em um crime político e, até hoje, sem solução. No caso de Minas, o PSol elegeu Áurea Carolina para a bancada mineira na Câmara – a 5ª mais votada e primeira mulher.

Minas Gerais

Seguindo a tendência nacional, a maior bancada mineira no Congresso Nacional é do PT, com oito parlamentares – entre eles Rogério Correia (PT), Padre João (PT) e Patrus Ananias (PT). Na sequência estão o PSL, o PSDB e o MDB. O deputado mais votado no Estado foi Marcelo Alvaro Antonio (PSL).

Já a votação para o Senado contrariou todas as pesquisas, sendo eleitos Rodrigo Pacheco (DEM), com 20,49% dos votos válidos, e Carlos Viana (PHS), com 0,22% dos votos válidos. Neste ano, o eleitor escolheu dois senadores para o mandato de oito anos.

Na Assembleia Legislativa, foram eleitos 26 novos deputados, um renovação de 33,77%. O mais votado foi Mauro Tramonte (PRB), apresentador de telejornal na TV Record Minas.

Já a mulher mais votada foi a ex-presidenta da Central Única dos Trabalhadores (CUT-MG), Beatriz Cerqueira (PT). Além dela, conquistaram uma cadeira na Assembleia as candidatas Marília Campos (PT), Leninha (PT), Andrea de Jesus (PSol) e outras seis mulheres.

Onda conservadora

Apesar da bancada do PT ser expressiva no Câmara, o cientísta político Juarez Guimarães afirma que este talvez seja o Congresso mais conservador da história do Brasil desde a redemocratização. “Não há estudos analisando ainda os perfis dos parlamentares eleitos, mas tudo indica que o atual Congresso seja ainda mais conservador que o último – que já aparecia nos esdutos da Ciência Política como o mais conservador após a superação da ditadura”.

Um indício é a massiva votação nos candidatos do PSL, inclusive tendo o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidenciável Jair Bolsonaro, eleito com 1,75 milhão de votos na sua disputa pela reeleição – sendo o deputado federal mais votado na história do País.

Já a advogada e professora Janaína Paschoal (PSL) é a deputada estadual mais votada na história do país – inclusive, com mais votos que Eduardo Bolsonaro. Na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo, a candidata recebeu 2.031.829 votos e superou o recorde histórico.

Além da votação recorde e do crescimento expressivo da bancada do PSL na Câmara e no Senado, o número de candidatos eleitos pelo partido de Bolsonaro para as Assembleias Legislativas subiu de 16, em 2014, para 76 nas eleições de 2018. É o maior crescimento entre todas as legendas, e a coloca como o 3º partido em número de representantes nas assembleias estaduais.

Houve ainda um crescimento expressivo do número de policiais e militares eleitos para o Legislativo, que saltou de 18, em 2014, para 73 agora.

“Velha política” perde lugar no Congresso Nacional, mas conservadorismo persiste