Editorial: Ninguém solta a mão de ninguém Editorial: Ninguém solta a mão de ninguém

Opinião | 1 de novembro de 2018

Jair Bolsonaro (PSL), infelizmente, será o novo presidente do Brasil. Apesar de uma intensa mobilização, especialmente no segundo turno, o crescimento de Fernando Haddad (PT) não foi suficiente para uma tão desejada virada. Agora, sob os cacos de um processo eleitoral tão sujo e tenso, muitos devem estar se perguntando: e agora?

O medo e o ódio, arrefecidos nos últimos dias de campanha pela esperança de tantos que se engajaram nas redes e nas ruas, voltaram a nos rondar após a apuração final das eleições. Angústia, tristeza e desespero foram compartilhados por muitos de nós, que ainda buscam entender como foi possível elegermos uma figura tão repugnante e despreparada para governar um País numa crise tão profunda. De onde arranjaremos forças?

A preocupação é legítima. A existência de muitos de nós está ameaçada, seja pelas promessas e discursos de Bolsonaro e sua equipe, seja pelas atitudes de ódio de seus apoiadores nas ruas.

A resistência, portanto, começa por seguirmos unidos, atuando de maneira coletiva e coordenada, de forma a nos cuidarmos e nos protegermos diante dos desafios que nos serão colocados.

Ninguém solta a mão de ninguém, companheiros. O engajamento e a união de milhões de pessoas durante a campanha de segundo turno foi, sem dúvida, o nosso grande legado nessas eleições.

Muitos de nós, que talvez nunca se envolveram tão intensamente, deram uma amostra de como reoxigenar a nossa forma de fazer política: próxima das pessoas, escutando e dialogando com quem, por vezes, não pensa como a gente.

Será assim, sonhando e lutando juntos, que enfrentaremos a mais essa tempestade que se avizinha.

ninguem

Editorial: Ninguém solta a mão de ninguém