As refinarias privadas e o destino da Petrobrás no governo Bolsonaro As refinarias privadas e o destino da Petrobrás no governo Bolsonaro

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 6 de novembro de 2018
Inauguração da unidade de refino de petróleo da Empresa DAX OIL Na foto: Foto:Alberto Coutinho/AGECOM

Inauguração da unidade de refino de petróleo da Empresa DAX OIL
Foto:Alberto Coutinho/AGECOM

Eleito no dia 28 de outubro, o futuro governo Bolsonaro começa a dar os primeiros sinais sobre o futuro do Petrobrás. Embora ainda esteja incerto o nome do próximo presidente da companhia, membros do novo governo já anunciaram algumas propostas referentes ao destino da estatal no refino e na distribuição. Especialistas afirmam que a estratégia é manter as políticas implementadas pelo governo Temer.

De acordo com o jornal Folha de São Paulo, o futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, estaria buscando apoio do novo gabinete para trazer para o comando da Petrobrás também o economista e ex-diretor da Vale, Roberto Castello Branco. Segundo apurou a reportagem, a decisão final ainda estaria incerta porque o vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão, também quer influenciar na escolha. Representante das Forças Armadas, Mourão manifestou que prefere um nome que esteja alinhado ao Clube Militar.

Divergências à parte, o que se espera do próximo governo é que mantenha a política da atual gestão, com a agenda focada nas atividades de exploração e produção do pré-sal e continuar os desinvestimentos em áreas do sistema integrado como a distribuição e o refino.

Ao mesmo tempo, o blog do BE Petróleo noticiou essa semana que o Brasil poderá ganhar cinco refinarias privadas na próxima década. Quatro delas estão sendo planejadas pela Noxis Energy, empresa com sede no Rio de Janeiro que pretende investir US$ 1,3 bilhão em empreendimentos em São Mateus (ES), Barra dos Coqueiros (SE), Bacabeira (MA) e Santana (AP). A construção da primeira delas está programada para começar em 2019, com início de operação comercial em 2021.

Esse não é o único projeto privado na área de refino no País. A Refinaria Petroquímica Brasil, projeto executado em parceria com empresas chinesas, incluindo a Sinopec, pretende instalar uma planta com capacidade para processar 240 mil barris/dia em Bacabeira (MA), no espaço que seria da refinaria Premium I, retirada do plano de negócios da Petrobrás.

Os projetos esperam que a demanda brasileira por diesel e gasolina cresça 2% até 2032, quando os déficits desses combustíveis no País serão de 225 mil barris/dia e 251 mil barris/dia, respectivamente, segundo cálculos da Noxis.

As expectativas, contudo, precisarão acompanhar outras variáveis. Se não houver a retomada do crescimento da economia, é possível que os investimentos se concentrem na importação de combustíveis até que o horizonte de longo prazo se defina, atingindo diretamente os preços ao consumidor final. Em situação semelhante estão as refinarias da Petrobrás, que poderão ser vendidas pela próxima gestão caso o preço de compra esteja depreciado, uma estratégia comercial que só tende a beneficiar a receita das empresas privadas estrangeiras. Um cenário vantajoso para o mercado, mas arriscado e prejudicial para a economia brasileira.

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