“Meritocracia” alça amigo de Bolsonaro  a cargo de gerência na Petrobrás “Meritocracia” alça amigo de Bolsonaro a cargo de gerência na Petrobrás

Diversos, Notícias, Tribuna Livre, Novidades, Política | 18 de janeiro de 2019

bolsonaro_carlovictorApesar do discurso da meritocracia, tão caro à gestão da Petrobrás, este foi completamente desconsiderado para alçar à Gerência Executiva de Inteligência e Segurança Corporativa da companhia um amigo pessoal do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). Carlo Victor Guerra Nagem é capitão-tenente da reserva da Marinha e funcionário da Petrobrás há 11 anos. Nesse período, porém, ele se licenciou em duas ocasiões para disputar cargos legislativos pelo Partido Social Cristão (PSC), com apoio do presidente eleito.

Na última sexta-feira (11), em sua conta oficial do Twitter, Bolsonaro defendeu a indicação de Nagem alegando que o amigo tem um currículo com várias atribuições externas que o qualificam para o cargo. Antes disso, em outro post que foi apagado da rede social, ele alardeou a escolha como fim das indicações sem capacidade técnica.

No entanto, de acordo com critérios de seleção indicados pela própria Petrobrás, Nagem não poderia assumir a função. Isso porque, a empresa exige que, para ocupar um cargo de gerência, o indicado tem que ter pelo menos dez anos de experiência gerencial em empresa de grande porte – o que não é o caso do amigo de Bolsonaro.

Já em casos de progressão gerencial interna, é exigida a atuação por pelo menos um ano como gerente geral ou três anos como gerente setorial. Mas, Nagem nunca ocupou tais postos desde que começou a trabalhar na estatal. Ele ingressou na Petrobrás em 2007 como Administrador Júnior e atualmente ocupa o cargo Administrador Pleno.

Além disso, a indicação de Carlos Nagem viola preceitos previstos no próprio Plano de Cargos e Remuneração (PCR) – implantado de forma unilateral pela Petrobrás no ano passado, de forma a suprimir o Plano de Classificação e Avaliação de Cargos (PCAC). Isso porque Nagem é um profissional de nível pleno e está sendo alçado a um cargo gerencial que exige profissionais de nível sênior ou máster – triplicando assim o seu salário atual.

Apesar de Nagem ter tido o currículo enaltecido por Bolsonaro como justificativa para sua indicação, a própria Petrobrás já havia esclarecido durante a campanha de implementação do PCR junto aos trabalhadores que títulos acadêmicos não justificam aceleração na carreira ou, até mesmo, aumento da remuneração. No documento “Perguntas e Respostas sobre o PCR”, a própria empresa informa que “a proposta do PCR é avaliar as pessoas por suas entregas e não por suas titulações”.

Segundo o diretor de comunicação do Sindipetro/MG, Felipe Pinheiro, essa medida revela a falsa meritocracia pregada pela gestão da Petrobrás e pelo governo Bolsonaro. “Por mais que a administração da empresa pense em quadros de sua confiança para cargos estratégicos, isso não pode ser feito desrespeitando os procedimentos internos. A nomeação de alguém tratado como ‘amigo’ é um insulto a categoria petroleira”, afirmou.

Ação Civil Pública

Essa incoerência motivou uma Ação Civil Pública (ACP) movida pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) contra o presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco. A FUP alega improbidade administrativa em função da nomeação de Nagem para a Gerência Executiva de Inteligência e Segurança Corporativa.

Segundo o assessor jurídico da FUP, Normando Rodrigues, o PCR prevê que a empresa só possa ser representada por profissionais de nível sênior e máster, sendo que trabalhadores de nível sênior somente representam a Petrobrás em projetos de menor complexidade. “Para a indicação a cargo do grau de atribuições e responsabilidades de um ‘gerente executivo’, o PCR prevê empregados de grau ‘máster’. Se a norma interna da Petrobrás, o PCR, é destituída de validade, e não tem império sobre a organização empresarial, este é um fato relevante que deve imediatamente ser comunicado aos acionistas, consoante as normas da Comissão de Valores Mobiliários. No entanto, se o PCR tem validade, não pode o indicado ser nomeado em cumprimento à indicação”, destacou.

Filho de Mourão ‘ganha’ cargo com salário de R$ 36 mil no Banco do Brasil

Seguindo a tendência de voltar atrás em seus anúncios e decisões, o governo Bolsonaro recuou em sua promessa de campanha de “acabar com a mamata no Brasil” e, além de Nagem, também presenteou o filho do vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, com um alto cargo no Banco do Brasil. Antônio Hamilton Rossell Mourão foi promovido à assessoria especial do presidente do Banco do Brasil e passará a receber R$ 36,6 mil, o triplo de seu salário atual. Funcionário de carreira do banco há quase 20 anos, o filho de Mourão era assessor na área de agronegócio da instituição.

Após questionamentos, o vice de Bolsonaro veio a público dizer que o filho chegou a ser prejudicado durante o governo PT e que: “Agora, que o vento é a favor, ele foi favorecido por suas qualidades”. Disse ainda que a indicação era fruto de “excelentes serviços, conduta irrepreensível e por absoluta confiança pessoal do presidente do banco”.

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