Ato emocionante marca 7° dia da tragédia de Brumadinho (MG) Ato emocionante marca 7° dia da tragédia de Brumadinho (MG)

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 1 de fevereiro de 2019

Um ato realizado no final da tarde de quinta-feira (31) em Belo Horizonte marcou o 7° dia da tragédia em Brumadinho (MG). A manifestação reuniu integrantes de diversos movimentos sociais, sindicatos e centrais sindicais em frente ao Memorial da Vale, na Praça da Liberdade, um dos cartões-postais da capital mineira

Durante o ato, diversas falas denunciaram as irregularidades cometidas pela Vale desde o crime de Mariana (MG), em novembro de 2015, e que culminaram na tragédia de Brumadinho – que já é considerado o maior acidente de trabalho da história do Brasil e uma das maiores tragédias dos últimos 50 anos.

“Hoje é o sétimo dia do crime e é um dia de luto. Mas, esperamos que todo esse luto se transforme em muita luta contra esse modelo de mineração que destrói vidas”, disse a integrante do Movimento pela Soberania Popular na Mineração, Maria Júlia Andrade.

Já o representante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Pablo Andrade Dias, o Binho, lembrou todo o descaso da Vale e da BHP Billiton (controladoras da Samarco – empresa responsável pelo rompimento da barragem de Fundão em 2015), com a população atingida pela tragédia em Mariana.

“Estivemos em Mariana, assim como estamos em Brumadinho, desde o primeiro dia e até hoje os moradores do distrito de Bento Rodrigues (destruído pela lama da barragem de Fundão) não foram reassentados. Nem um única casa foi construída e todos seguem desabrigados. Há pessoas que até hoje não receberam sequer o cartão auxílio. Tudo porque os lobistas da Vale na Assembleia Legislativa, no Judiciário e no Congresso Nacional atuam de forma que os responsáveis não sejam punidos e paguem pelo crime que cometeram”.

Ainda segundo ele, desde 2015, o MAB vem denunciando diversas irregularidades com as barragens em Minas. No entanto, nenhuma das denúncias teve eco. “E foi justamente por não darem ouvidos às denúncias é que aconteceu de novo”, afirmou. E ele alertou acerca da postura da Vale em relação às vítimas da tragédia de Brumadinho: “A tendência é que a conduta com atingidos seja a mesma”.

Homenagem

Após as falas de diversas lideranças de movimentos sociais que estão acompanhando a situação de Brumadinho, o Levante Popular da Juventude realizou uma intervenção em memória às vítimas da tragédia. Um alerta de sirene foi tocado e participantes da ação carregando nomes das vítimas foram, aos poucos, caindo ao chão.

Em seguida, integrantes do Levante foram “marcando” os corpos caídos e as pessoas se levantavam emocionadas e gritavam o nome que carregavam nas mãos. Ao final da ação, os demais presentes acenderam velas e depositaram flores sobre as marcas pintadas no solo.

O ato teve fim com a população cantando a canção “Juízo Final”, de Clara Nunes, seguida de gritos de “Vale Assassina”.