Editorial: Privatização dos lucros, socialização de tragédias Editorial: Privatização dos lucros, socialização de tragédias

Opinião | 8 de fevereiro de 2019

Minas ainda chora pela tragédia envolvendo o crime de Brumadinho. A dor e o desalento diante da difícil busca pelas vítimas fatais, enterradas em um cemitério de lama, agora se misturam a um sentimento de revolta.
Quando assistimos a um crime reincidente por parte da Vale, a sociedade brasileira se pergunta: até onde vai a ganância dessas grandes empresas?

O momento é de dor e revolta, mas é preciso refletirmos sobre as causas mais profundas desse crime, justamente para evitar que tragédias como essa se repitam. Afinal, é esse o modelo de desenvolvimento econômico, predatório, dependente e desumano que queremos para o nosso País? Vale tamanho dano ambiental e social para o nosso povo?

É importante lembrarmos de um fato histórico, inconveniente para muita gente: a Vale, até 1997, era uma empresa estatal, que naquela ocasião foi vendida por valores irrisórios. Apesar de ter como foco a exportação de recursos minerais desde sua criação como empresa pública, a Vale privatizada passou a ter como prioridade o lucro máximo e em curto prazo para seus acionistas (na maioria, estrangeiros).

Por trás de expansão internacional e dos lucros exorbitantes da Vale, há um rastro de crimes socioambientais e forte lobby sobre governos e parlamentos. Para nós, brasileiras e brasileiros, sobraram os buracos, as tragédias e uma dependência econômica absurda da mineração por parte de estados e municípios.

O que nos cabe agora é responder a algumas perguntas ainda mais simples:

Para quê e a quem serve a mineração?
Para quê e a quem serve a Vale?
Para quê e a quem serve a privatização?