Editorial: Alerta vermelho para a classe trabalhadora Editorial: Alerta vermelho para a classe trabalhadora

Opinião | 15 de fevereiro de 2019

Dentre tantas desgraças humanitárias e ambientais nesse início de ano, o caso GM pode ter passado desapercebido por muitos de nós. Entretanto, o que aconteceu com os metalúrgicos de São José dos Campos (SP) deve servir de alerta para todo o movimento sindical brasileiro.

Não é de hoje que grandes multinacionais chantageiam trabalhadores e governos locais para que obtenham isenções fiscais e redução no gasto com sua força de trabalho. No entanto, quanto mais o capitalismo mundial patina para sair da crise que ele mesmo criou, maior é a pressão desses grandes conglomerados para a manutenção de seus lucros em suas regiões de atuação.

Refém da geração de empregos, renda e impostos, proporcionada por essas empresas, governos locais e trabalhadores podem preferir perder os anéis do que perder os dedos. Como no caso Vale, setores da sociedade preferem “passar o pano” para a mineradora, por mais que sua atuação criminosa tenha gerado danos incalculáveis para o País.

Como se não bastasse a ganância dessas empresas, vivemos uma conjuntura política muito favorável para a gula insaciável do capital. Temer e, agora, Bolsonaro possuem um compromisso explícito com o empresariado, até porque também os têm como fiadores de seus governos. O golpe sobre Dilma, a prisão de Lula e a eleição de 2018 deram um sinal verde para o ataque desenfreado sobre a classe trabalhadora.

Nós, petroleiras e petroleiros, que também vivemos a angústia pelo futuro de nossos direitos e empregos, precisamos refletir sobre essa realidade.
Se há um aprendizado no caso GM é de que não seremos capazes de enfrentar essa tempestade sozinhos, isolados.

Se a unidade da nossa classe por si só não garante a vitória, sem ela a derrota já é certa.