Editorial: Até quando vamos contar com a própria sorte? Editorial: Até quando vamos contar com a própria sorte?

Opinião | 22 de fevereiro de 2019

Não é de hoje que o Sindipetro/MG denuncia sobre acidentes e incidentes que poderiam se tornar tragédias em Minas Gerais. O vazamento de GL Nafta no CCF da Regap se soma a outros eventos recentes no refino, com altíssimo potencial de risco aos trabalhadores.
Além de dois gravíssimos acidentes com afastamento ocorridos no último ano na Regap, outras ocorrências sem vítimas ou perdas de patrimônio se multiplicam nas unidades operacionais da Petrobrás – que estão em processo intenso de sucateamento. Em Minas, o grave acidente envolvendo vazamento de ácido sulfúrico na Utilidades, numa evidente falha de gestão da empresa, por pouco não resultou na morte de um companheiro de trabalho.

Em agosto de 2018, um grave acidente na Replan nos ilustrou o quanto a insegurança em nossas unidades pode ter consequências assustadoras. Naquela ocasião, um tanque foi arremessado a 300 metros de distância, após explosão no mesmo setor de craqueamento da refinaria paulista. O vídeo interno com imagens do momento exato da explosão, poucos minutos após verificada a presença de operadores naquela área, atemorizou toda a categoria petroleira.

A mensagem na cabeça de todos nós é a mesma: poderia ter sido um de nós. Até quando vamos depender da nossa própria sorte? Até quando vamos bater cartão preocupados se retornaremos vivos do trabalho? Até quando as gerências irão dar de ombros para essa verdadeira bomba-relógio sobre nossas cabeças?

O fantasma da privatização e da retirada de direitos tem trazido grande angústia para os trabalhadores, o que pode ser entendido como a prioridade máxima de luta e mobilização da categoria petroleira no próximo período. Mas é de grande importância que possamos resistir pela garantia de nosso mais sagrado direito – o direito à vida.