Regap registra mais um incidente com potencial de tragédia Regap registra mais um incidente com potencial de tragédia

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 22 de fevereiro de 2019

Mais um incidente grave foi registrado na Regap na última sexta-feira (15). Segundo denúncias de trabalhadores, uma trinca em um vaso para sucção (também conhecido como vaso nocaute) do compressor 04K01 provocou o vazamento de GLNafta – mistura de GLP com nafta que tem alta concentração de ácido sulfídrico (H²S) e alto poder de combustão e de explosão.

O caso aconteceu no interestágio da unidade de Craqueamento Catalítico (CCF 1), que precisou ser paralisada para contenção do vazamento e reparos no vaso nocaute, só voltando a operar no dia 19.

Ainda conforme operadores do setor, as linhas desse compressor de GLNafta apresentavam fortes vibrações há alguns meses e o caso já havia sido denunciado à gerência da Petrobrás em uma reunião de SMS. Para conter o problema, as linhas teriam sido presas e amarradas para evitar o rompimento de alguma delas.

No dia do incidente, uma Permissão de Trabalho (PT) foi emitida para realização de um processo de “limpeza” do compressor, por meio da injeção de um produto que removeria a “goma” acumulada no equipamento. A medida tinha por objetivo reduzir as vibrações.

Porém, antes do início do procedimento foi verificada a trinca com vazamento do produto. A unidade foi completamente parada e, por sorte, não houve consequências mais graves. “Isso era uma tragédia mais ou menos anunciada porque tem mais de mês que esse compressor apresenta uma pressão alta nesse interestágio e as linhas têm vibrado muito”, relatou um operador.

Segundo o coordenador do Sindipetro/MG, Anselmo Braga, o vazamento poderia ter provocado uma explosão na refinaria, como ocorreu em 1998. “Há pouco mais de um mês, lembramos os 20 anos do acidente causado por um vazamento de nafta na Regap que matou cinco pessoas e deixou várias feridas durante uma parada de manutenção. Agora, temos um incidente como esse na CCF, que poderia ter sido evitado dado que já haviam sido registrados e denunciados problemas nas linhas do compressor. No entanto, nada foi feito”.

Ainda de acordo com Anselmo Braga, a Regap está em situação de abandono. “A refinaria está em processo de sucateamento, exatamente como aconteceu na década de 90, quando a Petrobrás também estava sob ameaça de privatização como agora”.

Esse é o segundo incidente grave denunciado pelos trabalhadores da Regap ao Sindipetro/MG só este ano. Em janeiro, a carcaça de um compressor de ar se rompeu arremessando o rotor do equipamento a uma certa distância e, inclusive, atingindo e derrubando uma luminária na Unidade 114, também conhecida como URE.

Esta unidade é responsável pelo tratamento ao ácido sulfídrico (H²S) produzido pela refinaria. Por sorte, ninguém se feriu.

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