“Vamos ter pelo menos uma venda de refinaria este ano”, diz presidente da Petrobrás “Vamos ter pelo menos uma venda de refinaria este ano”, diz presidente da Petrobrás

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 22 de fevereiro de 2019

Foto: REUTERS/Sergio Moraes

Em entrevistas recentes, o presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, voltou a alardear sobre a privatização do refino e cravou: “Vamos ter pelo menos uma venda de refinaria este ano”. A afirmação foi feita ao jornal “O Globo”, em entrevista publicada no dia 16 de fevereiro.

A expectativa é de que esse processo de desintegração da Petrobrás tenha início no segundo semestre. Segundo Castello Branco, a proposta é que a Petrobrás detenha apenas 50% de sua capacidade atual de refino, ou seja, metade passará às mãos da iniciativa privada.

Além disso, o presidente da estatal também tem afirmado que está revendo o plano de privatizações, cujo modelo de venda deve ser alterado. “O projeto de venda vai ser diferente do que já foi anunciado. A empresa pode comprar a refinaria e alugar serviços (de infraestrutura)”, afirmou.

Já em entrevista ao Valor Econômico, publicada em 7 de fevereiro, ao ser questionado se alguma refinaria seria inegociável, Castello Branco respondeu: “Não existe nada inegociável, tudo depende do preço. Não tenho paixão por nenhum ativo”.

Inclusive, em declarações recentes, ele disse que a Petrobrás retomará a proposta de vender sua fatia na Braskem, que foi suspensa para estudos pela gestão anterior, e analisa a possibilidade de venda da BR Distribuidora.

Segundo o diretor do Sindipetro/MG, Felipe Pinheiro, apesar de ainda não estar claro, tudo indica que essas mudanças no modelo de venda do refino deverão ser ainda mais danosas ao patrimônio da Petrobrás.

“Castello Branco tem dado declarações no sentido de mudar totalmente o processo de privatização gestado por [Aldemir] Bendine e organizado por [Pedro] Parente. Mas para pior”.

Ainda conforme avaliação do diretor, a privatização do refino pode significar “não só a venda de um setor estratégico para o País, mas também a entrega de todo um mercado consumidor de combustíveis. Isso significa que a população ficará refém da oferta de gasolina, diesel e gás de cozinha dessas empresas privadas, a um preço tão alto quanto for necessário para garantir suas altas taxas de lucro”.

A alegação de Castello Branco para vender parte do refino é estimular a competitividade no setor. “Estamos estruturando como fazer, porque queremos criar um mercado competitivo. Não adianta transferir o poder do mercado da Petrobras para a iniciativa privada”, disse ao jornal O Globo.

Ainda ao Valor Econômico, Castello Branco acrescentou: “Achamos muito tímido [o programa original de venda de refinarias]. Não queremos simplesmente transmitir um monopólio de uma empresa estatal para a iniciativa privada. Queremos concorrência. Vamos estudar quais ativos vamos vender, como vamos estruturar [o desinvestimento]. Isso está sob análise e é uma das prioridades”.

Em ambas as entrevistas, ele também foi taxativo na defesa da redução de investimentos tanto no setor petroquímico quanto em energias renováveis e apontou como prioridades de sua gestão à frente da estatal a redução de custos da Petrobrás e a desalavancagem. Também reforçou seu compromisso com a exploração do pré-sal e a geração de lucros aos acionistas.