Crime da Vale em Brumadinho completa um mês Crime da Vale em Brumadinho completa um mês

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 26 de fevereiro de 2019

No dia 25 de janeiro, moradores da cidade de Brumadinho, em Minas Gerais, tornaram-se vítimas de uma das maiores tragédias socioambientais do mundo. O rompimento da barragem da mineradora Vale, no Córrego do Feijão, causou a morte de 179 pessoas. Outras 134 pessoas ainda não foram encontradas.

Assim como os atingidos de Mariana (MG), vítimas do rompimento da barragem do Fundão, da Samarco, há mais de três anos, a falta de informações, a dor, o luto e a revolta, agora são parte do cotidiano dos moradores de Brumadinho, que denunciam, em meio a tantas vozes embargadas, que a Vale é responsável pelo desastre. Hoje, 30 dias após o crime, muitas famílias ainda sobrevivem com a angústia de não poder enterrar seus entes queridos.

A dimensão dessa tragédia anunciada, resultado de um modelo de mineração predatório adotado pela Vale e outras mineradoras que exploram territórios nacionais, é também ambiental. Não há mais possibilidade de vida no rio Paraopeba ou até mesmo em suas margens. Suas águas claras, após o crime da Vale, se tornaram um mar de lama.

Nesta segunda-feira (25), um ato seguido de um culto ecumênico em memória das vítimas foi realizado na Praça 7, no centro de Belo Horizonte. A mobilização reuniu representantes de diversos movimentos sociais, de várias religiões e de diferentes organizações e marcou um mês da tragédia. A diretoria do Sindipetro/MG também esteve presente.

Veja o material especial do jornal Brasil de Fato sobre um mês do crime da Vale em Brumadinho

Lei de Segurança de Barragens

Também na segunda-feira, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, sancionou o projeto de lei 3.676/16, conhecido como Lei de Segurança de Barragens. Aprovada na Assembleia Legislativa no último dia 22, o texto apresenta importantes mudanças na gestão das barragens de resíduos no estado, como a proibição de reservatórios construídos a montante e rigidez maior na concessão de licenças ambientais.

No Brasil, mais de 700 barragens são “de alto risco” e outras 45 estão com as estruturas comprometidas. Quantas tragédias como a de Brumadinho e Mariana poderiam ser evitadas? Até quando tantas pessoas ainda serão vítimas desse modelo de mineração que privilegia o lucro em detrimento de todas as formas de vida?

Fonte: Sindipetro/MG com informações do Brasil de Fato