Discurso de gerente de Gestão de Pessoas da Petrobrás ameaça categoria petroleira Discurso de gerente de Gestão de Pessoas da Petrobrás ameaça categoria petroleira

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 28 de fevereiro de 2019

Após o anúncio de fechamento do Edisp, em São Paulo, a Petrobrás realizou uma reunião com os trabalhadores da unidade na última segunda-feira (25) em que foram feitas diversas ameaças à categoria. Em áudios vazados dessa reunião, o gerente executivo de Gestão de Pessoas (ex-Recursos Humanos), Cláudio da Costa, fala em demissão de petroleiros.

“Dá pra absorver todo mundo? Não, não dá. Algumas pessoas não ficarão na companhia. Dá pra absorver todo mundo que aqui está? Não, algumas pessoas não ficarão. Algumas vão poder decidir por escolha própria não permanecer na companhia, os programas virão aqui para ajudá-los nesse processo decisório. O que a gente precisa ter em mente aqui é: ficará em São Paulo aquilo que é essencial”, disse o gerente.

Em resposta a um questionamento, Cláudio da Costa ainda afirmou: “Sendo muito objetivo aqui na resposta, talvez muitos de vocês aqui não permaneçam na companhia nos próximos ciclos de suas vidas, pessoais e profissionais, respeitando de novo todo o impacto que isso terá na vida de todos. É assim que a gente tem que tratar esse tema”.

Ele também reafirmou algumas declarações do presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, acerca do fechamento de algumas unidades e da privatização de outras, como no setor do refino, por exemplo.

As falas indignaram os trabalhadores e também a diretoria do Sindipetro-SP que, no mesmo dia pela manhã, participou de uma reunião com a gerência de Relações Sindicais e a gerência geral do Compartilhado para tratar justamente da desmobilização do Edisp. Essa reunião foi motivada por um pedido dos dirigentes do Sindipetro-SP e da FUP, ao serem informados pela imprensa do fechamento da sede da Petrobrás em São Paulo.

Segundo o diretor sindical Felipe Grubba, nessa reunião não foi falado em momento algum sobre demissão de trabalhadores. “Não foi sequer mencionada a possibilidade de um PIDV. O que foi dito é que estavam mapeando as gerências e que a perspectiva era de que 1/3 dos trabalhadores ficassem na capital paulista, uma parte iria ser transferida para as refinarias de São Paulo e outra parte iria para o Rio de Janeiro”.

Após a repercussão das declarações de Cláudio da Costa, o presidente da Petrobrás gravou um vídeo para a categoria ressaltando a importância de alguns ajustes e da redução de custos para a recuperação e crescimento da empresa. Também justificou o fechamento do Edisp, em razão dos altos custos.

Ainda nesse vídeo, ele negou a transferência de trabalhadores do setor administrativo para refinarias. “Nós não temos a intenção, a priori, de demitir ninguém. Não existe um plano de demissões na Petrobrás. Nós estamos estudando um programa incentivado de demissão voluntária, que não foi ainda aprovado pela diretoria executiva. Esse programa está começando a ser estudado, seus benefícios e seus custos, e decidiremos oportunamente”.

Diante do caso, a diretoria executiva do Sindipetro-SP se reuniu na quarta-feira (27) e, durante a tarde, os diretores realizaram setorial com os trabalhadores do Edisp. Também farão um ato nesta sexta-feira (1°), na porta do Edifício em São Paulo. O Sindicato já havia realizado setorial com os petroleiros na semana passada, tão logo foi divulgada a notícia da desmobilização da unidade.

Segundo o coordenador do Sindipetro/MG, Anselmo Braga, o que houve no Edisp é muito grave e acende mais um alerta. “A fala assediadora do atual gerente de RH não diz somente sobre o futuro dos trabalhadores do Edisp mas de toda a categoria petroleira. Essa tática de disseminar o terror tem por objetivo desmobilizar a categoria.

O Sindipetro/MG também publicou na última terça-feira (26) uma nota de repúdio às ameaças explícitas de fechamento e venda de unidades da empresa e da demissão em massa de petroleiros. “O Sindipetro/MG cobrará da Petrobrás um esclarecimento imediato sobre as falas irresponsáveis do gerente citado. A diretoria do Sindicato seguirá conscientizando e mobilizando trabalhadoras e trabalhadores para enfrentar o atual e cada vez mais explícito processo de privatização da Petrobrás”.

Fechamento do Edisp

O fechamento do Edisp foi divulgado pela imprensa. Em coluna publicada em 17 de fevereiro, no jornal O Globo, o colunista Lauro Jardim anunciou que a Petrobrás fecharia os sete andares do prédio que ocupa na avenida Paulista e realocaria todos os funcionários. Também serão fechados os escritórios em Nova York e Tóquio.

Quem é Cláudio Costa?

Claudio Costa é ex-secretário executivo adjunto de Gestão de Pessoas da Prefeitura de São Paulo, durante a gestão de João Doria (PSDB) – hoje governador do Estado. Costa entrou na Petrobrás em janeiro para substituir José Luiz Marcusso, que é funcionário de carreira da estatal e esteve à frente da gerência Executiva de Gestão de Pessoas por dois anos.

Uma das hipóteses para a indicação de uma pessoa de fora do quadro de funcionários da Petrobrás para o cargo é a de atender ao programa de privatizações proposto pelo presidente, Roberto Castello Branco.

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