Impulsionada pela alta do petróleo, Petrobrás tem lucro de R$ 25,7 bilhões em 2018 Impulsionada pela alta do petróleo, Petrobrás tem lucro de R$ 25,7 bilhões em 2018

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 28 de fevereiro de 2019

A Petrobrás anunciou na noite desta quarta-feira (27) os resultados financeiros e operacionais de 2018. A empresa registrou lucro líquido de R$ 25,7 bilhões – influenciado principalmente pelo câmbio, pelo aumento do preço do barril do petróleo e pela lucratividade do pré-sal.

Ao longo de 2018, o barril de petróleo teve um aumento, em reais, de 50%, saltando de R$ 173,30 para R$ 260,20. Isso impactou diretamente nas receitas que a Petrobrás obteve no setor de exploração e produção (E&P) e contribuiu para o lucro da empresa.

Esse resultado reforça o que a crise pela qual passou a Petrobrás foi resultado, em boa parte, da queda no valor do petróleo no mecardo internacional em anos anteriores. Sendo assim, com o preço do barril voltando a subir, a maior parte dos problemas da Petrobrás e de petrolíferas de todo o mundo estará resolvido.

De acordo com o diretor do Sindipetro/MG, Felipe Pinheiro, diante da lucratividade expressiva da empresa no ano passado – especialmente frente ao prejuízo de R$ 446 milhões em 2017 – há de se questionar sobre a “necessidade” da privatização de setores da Petrobrás – como defende o atual presidente Roberto Castello Branco. “Esses resultados demonstram, mais uma vez, que a Petrobrás nunca esteve quebrada. Então, se é lucrativa por quê privatizar? É uma pergunta que precisa ser feita”.

Outros pontos importantes do balanço da Petrobrás

Mesmo com a entrada em operação de quatro novos sistemas de exploração, a empresa amargou uma queda de 5% na produção de petróleo no ano passado, em função das privatizações e dos desinvestimentos realizados pelo governo de Michel Temer. Foi a maior queda anual na produção desde 2003, o que levou a Petrobrás a ficar abaixo da meta de 2.100 milhões de barris de petróleo por dia, que havia sido estipulada para 2018.

Contribuiu para essa queda a venda de 25% do campo de Roncador para a petroleira norueguesa Equinor (ex-Statoil) e a redução de investimentos nos campos maduros do pós-sal. O impacto só não foi maior nos resultados da empresa, em função do aumento de 32% do preço internacional do barril do petróleo e da desvalorização cambial de 14%.

Em função desses fatores externos à gestão da Petrobrás, o lucro do E&P dobrou, saltando de R$ 33,6 bilhões para R$ 66,5 bilhões. Não é à toa que a estratégia da empresa continua sendo apostar todas as fichas no pré-sal, que até pouco tempo atrás era menosprezado pelo privatista Pedro Parente, da mesma linha neoliberal do atual presidente, Roberto Castello Branco.

Segundo o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), os resultados da Petrobrás poderiam ser ainda melhores se não fossem os desinvestimentos que a empresa fez no E&P. “Com a política de desinvestimentos em curso, a Petrobrás perdeu a oportunidade de auferir resultados operacionais ainda mais expressivos. Nesse novo contexto, cabe questionar o sentido de continuar com uma estratégia de desinvestimento tão acelerada, inclusive de campos do pré-sal, que são fundamentais para geração de caixa presente e futura da empresa”, destacou o instituto.

Principais pontos dos resultados financeiros e operacionais da Petrobrás:

– Lucro de R$ 25,7 bilhões em 2018 – frente ao prejuízo de R$ 446 milhões em 2017;
– Receita aumentou 23%, passando de R$ 283,7 bilhões para R$ 349,8 bilhões;
– Lucro do E&P cresceu de R$ 33,6 bilhões para R$ 66,5 bilhões;
– Lucro do refino caiu de R$ 13 bilhões para R$ 8,4 bilhões. Apesar da queda do custo do refino, houve uma redução das vendas de derivados em 5%, influenciada, principalmente, pela perda de mercado para os derivados importados.
– Endividamento líquido (EL) foi reduzido em apenas 4%, caindo de R$ 280 bilhões para R$ 268 bilhões, mas a relação EL/EBITDA caiu de forma expressiva de 3,67 para 2,34, entre 2017 e 2018. Isso se explica pelo aumento do EBITDA, que saiu de R$ 76,5 bi para R$ 114,8 bi. Essa melhora do EBITDA pouco tem relação com os desinvestimentos, uma vez que eles representaram somente R$ 6 bilhões em 2018. A melhora está relacionada aos resultados operacionais.
– Investimentos cresceram 2%, mas praticamente concentrados no E&P. Houve queda nos investimento do Gás e Energia e estagnação no refino;
– A queda na produção não foi maior porque a produção do pré-sal teve uma alta de mais de 5%.

Ouça aqui o podcast com a análise do Ineep

Fonte: Sindipetro/MG com informações da FUP e do Ineep