EDITORIAL – GP: Gestão de Pessoas ou Gestão da Privatização? EDITORIAL – GP: Gestão de Pessoas ou Gestão da Privatização?

Opinião | 1 de março de 2019

A cada semana que passa, a categoria petroleira vem sentindo na prática as consequências do que o governo tem chamado de “a nova era” no Brasil. Apesar das caneladas e dos precoces escândalos envolvendo o mandato de Jair Bolsonaro, petroleiras e petroleiros têm percebido sinais cada vez mais fortes de um futuro muito difícil para nós.

Se na política o governo bate cabeça, no comando da economia e, especificamente, das estatais, o planejamento está sendo executado a passos firmes e largos. O escandaloso discurso do atual gerente executivo de Gestão de Pessoas, Cláudio Costa, em reunião com trabalhadores do Edisp, em São Paulo, explicitou bem o que passa na cabeça da alta administração da Petrobrás.

Cláudio, ex-secretário de gestão de pessoas do governo João Dória e anunciado como um nome do mercado privado, não foi somente descuidado ou desrespeitoso em suas falas para a força de trabalho do Edisp. O atual gestor de RH da Petrobrás, num “sincericídio”, deixou cair a máscara de uma gestão que vem planejando destruir a nossa categoria. Na mira, nossos postos de trabalho e direitos historicamente conquistados.

A situação específica dos trabalhadores do Edisp, assim como do trabalhador injustamente demitido na Regap, serve de alerta para toda a força de trabalho petroleira, justamente por dar uma amostra de como poderá ser o tratamento da empresa em relação aos empregados em contextos de venda ou fechamento de unidades. A gestão de RH, ao que parece, ficará responsável por fazer o serviço sujo da alta administração da empresa. Aliás, o principal condutor dessa “nova era” na Petrobrás, Roberto Castello Branco, não foi capaz de desmentir sobre a futura privatização e demissão em massa de funcionários.

Como em outros momentos da nossa história, uma velha tática ficou evidente no discurso do atual gerente de Gestão de Pessoas: implantar um clima de terror na categoria, alimentando um discurso de “terra arrasada” e de que “não há saída”. Como o rapaz é novo de casa, talvez desconheça essa tal de categoria petroleira, mas pelo nosso histórico de luta e resistência, não aceitaremos bravatas e ameaças de quem quer que seja.