Marielle vive Marielle vive

Opinião | 15 de março de 2019

Nesta semana, completamos um ano do bárbaro assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), morta a tiros em um crime político que abalou o Brasil. Neste mesmo mês, assistimos também aos primeiros passos da tramitação da proposta de Reforma da Previdência de Jair Bolsonaro, ainda mais cruel com as mulheres.

Essas duas pautas destacadas, em pleno mês do DiaIinternacional da Mulher, mostram o quanto as brasileiras certamente não têm muito o que comemorar. Se a vida das mulheres nunca foi fácil, a situação ainda piora em crises como a atual.

Enquanto o capitalismo patina para sair de uma crise infindável, as mulheres estão sempre ali, na fila de prioridades para perderem seus direitos, quando não para serem desrespeitadas, subjugadas, violentadas e, inclusive, assassinadas.

Mas, se são as mulheres os primeiros alvos em tempos de crise, são também aquelas que têm se destacado na reação e na luta política no Brasil e do mundo. Enquanto as organizações tradicionais têm perdido fôlego na luta por suas pautas, em geral reproduzindo estruturas machistas, as mulheres têm se transformado na referência de resistência e organização política no último período.

O potencial de luta das mulheres não é só um exemplo para os homens – ele é uma ameaça ao status quo de um capitalismo que não sobrevive sem ser patriarcal. Portanto, Marielle não se torna somente um símbolo da violência extrema contra a mulher, negra, favelada – ela se transformou, para o desgosto de muitos, no símbolo da resistência feminista.