EDITORIAL – Mulheres são símbolo de resistência EDITORIAL – Mulheres são símbolo de resistência

Opinião | 22 de março de 2019

Sempre na mira dos poderes dominantes, as mulheres têm sido, ao longo da história, símbolos de resistência. Elas estiveram nos campos de batalha em diversas guerras no Brasil e no mundo, protagonizaram algumas das mais importantes lutas por melhores condições de trabalho, e resistiram bravamente à ditadura militar na América Latina – embora só apareçam na história como “companheiras” de algum revolucionário, líder político ou combatente.

Graças às mulheres que vieram antes de nós, um longo caminho já foi pavimentado. No entanto, por sermos minoria (não no sentido literal da palavra), seguimos na mira. Ainda vítimas de inúmeras desigualdades, estamos sendo mais uma vez atacadas.

No caso brasileiro, em vários dos projetos colocados em pauta pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL), somos as principais prejudicadas. Isso serve para a Reforma da Previdência – que afeta sobremaneira as mulheres – em razão da inserção da mulher no mercado de trabalho brasileiro e de contexto social e histórico do País, ainda muito marcado pelo patriarcado.

Também seremos nós as mais prejudicadas pelo decreto que flexibiliza a posse de armas no Brasil – tendo em vista que a maior parte dos casos de feminicídio registrados no Brasil foram provocados por armas de fogo (48,8%), conforme dados do “Mapa da Violência 2015: homicídio de mulheres no Brasil”.

Por isso, nossa luta por uma sociedade mais justa não pode parar. A história nos diz isso e o momento desafiador atual também têm nos mostrado o quanto a força feminina pode ser essencial para mudar a realidade. Afinal, fomos nós que protagonizamos os mais contundentes atos de oposição à eleição de Bolsonaro ao sairmos às ruas na campanha do #EleNão.

Mas é importante que ocupemos também os espaços de poder, as instâncias decisórias e pautemos e participemos dos mais diversos debates na sociedade. E o sindicato é também um espaço a ser ocupado, apropriado e modificado pelas mulheres. Apesar de ainda muito masculinizado, esse também é um espaço nosso e do qual devemos usufruir, afinal é aqui que nossos direitos enquanto trabalhadoras são discutidos.

Foi inclusive e somente a partir da organização das mulheres, por meio do Coletivo de Mulheres da FUP, que se conquistou o aumento do tempo da licença-paternidade, a instalação de salas de aleitamento nas unidades da Petrobrás, a ampliação do auxílio-creche para homens, além da ocupação de um espaço permanente de diálogo na comissão de diversidade da estatal.

No caso do Sindipetro/MG, somos três diretoras e realizamos essa semana II Encontro de Mulheres Petroleiras de Minas Gerais – que é uma oportunidade para ocuparmos o Sindicato, nos reunirmos com as trabalhadoras e debatermos juntas os desafios diários do nosso trabalho na Petrobrás.

Ainda é só o começo mas, juntas, podemos construir uma realidade mais justa e igualitária dentro da Petrobrás e também fora dela.