Petroleiros se mobilizam contra o fim da Previdência e da Petrobrás Petroleiros se mobilizam contra o fim da Previdência e da Petrobrás

Diversos, Eventos, Notícias, Tribuna Livre | 25 de março de 2019

Na última sexta-feira (22), Dia Nacional de Luta contra a Reforma da Previdência, os petroleiros das bases da FUP se manifestaram em todo o País contra os ataques do governo Bolsonaro – que quer meter a mão na aposentadoria dos brasileiros, fazendo um ajuste fiscal às custas dos trabalhadores.

Em Minas, o coordenador do Sindipetro/MG, Anselmo Braga, e os diretores do Sindicato Felipe Pinheiro, Alexandre Finamori e Leopoldino Martins participaram do ato chamado pelas centrais sindicais. Outros cinco trabalhadores da Petrobrás também compareceram na manifestação, que aconteceu na Praça Sete, no centro de Belo Horizonte.

Além dos representantes das centrais sindicais e de sindicatos do Estado, o ato contou com a participação do deputado federal Rogério Correa (PT) e das deputadas estaduais Marília Campos (PT) e Beatriz Cerqueira (PT). Os políticos ressaltaram os prejuízos que a reforma da Previdência trará para toda a classe trabalhadora brasileira e firmaram o compromisso de lutar contra esta reforma ao lado dos trabalhadores. O ato também contou com uma apresentação cultural e panfletagem de materiais informativos.

Ataques

Outros ataques contra o povo brasileiro já estão em curso, como a Medida Provisória 873, cujo objetivo é asfixiar os sindicatos – que são as entidades que podem organizar e mobilizar os trabalhadores contra a retirada de direitos, as privatizações e demais ataques do governo Bolsonaro.

Os petroleiros são uma das categorias mais organizadas do País e, não foi por acaso, que os gestores do Sistema Petrobrás anunciaram a suspensão do desconto em folha das mensalidades sindicais no mesmo dia em que o presidente da empresa afirmou publicamente que a venda da estatal “foi sempre um sonho”.

Nos atos de sexta-feira, os dirigentes da FUP enfatizaram que a luta contra o fim da Previdência Social está diretamente ligada à resistência aos ataques contra as organizações sindicais e as privatizações.

O que o governo está propondo não é reforma e sim o fim da previdência pública. Bolsonaro quer tirar da Constituição o direito à aposentadoria e a outros benefícios de seguridade social. O trabalhador terá que depositar parte de seu salário em um fundo individual que será administrado por bancos privados (capitalização). Nem o governo nem os patrões serão obrigados a contribuir. Os bancos, que já devem fortunas ao INSS, ainda receberão parte do salário dos trabalhadores para administrar o fundo.

Os aposentados não terão a garantia de reajuste dos benefícios, como hoje é assegurado pela Constituição. E os que esperam se aposentar, terão que contribuir por 40 anos para poder garantir 100% do benefício.

Regime de capitalização levou chilenos ao suicídio

O regime de capitalização que o governo Bolsonaro quer aprovar ao acabar com a Previdência Social já fracassou em vários lugares do mundo. Pelo menos 18 países voltaram atrás e substituíram esse modelo. No Chile, o regime de capitalização foi implantado em 1981, em plena ditadura militar, e o resultado é uma avalanche de suicídios entre os idosos que não conseguem sobreviver com os benefícios que recebem. Mais de 40% dos aposentados no Chile estão abaixo da linha de pobreza e 80% recebem benefícios de cerca de meio salário mínimo do País, o equivalente a R$ 694,00, que corresponde, em média, a 33% do salário quando estavam na ativa.