Ditadura nunca mais! Ditadura nunca mais!

Opinião | 29 de março de 2019

Seria cômico, se não fosse trágico. Na mesma semana em que a Refinaria Gabriel Passos completa 51 anos, o golpe civil-militar faz seu nada glorioso 55° aniversário. Para o atual presidente do nosso País, entretanto, o momento não é de “chororô ou mimimi” – a ordem agora é comemorar!

Em 1968, ano de inauguração da Regap em Betim (MG), o Brasil e o mundo viviam um intenso processo de ebulição política. Enquanto explodiam movimentos de contestação política e cultural na Europa e nos Estados Unidos, o governo militar brasileiro enfrentava uma enorme “dor de cabeça” com os primeiros grandes enfrentamentos populares contra o regime.

Se “o ano que nunca acabou” foi marcante para a organização popular, com as históricas greves dos metalúrgicos de Contagem (MG) e Osasco (SP) e a passeata dos cem mil (RJ), 1968 também ficou conhecido pelo endurecimento do regime militar. A partir da instalação do Ato Institucional n°5 (AI-5) no final daquele ano, iniciamos as páginas mais terríveis e sangrentas – hoje comemoradas – da nossa história recente.

A construção de refinarias como a Regap, além de outros grandes empreendimentos industriais e de infraestrutura, foram uma marca da linha desenvolvimentista do regime militar. Entretanto, não podemos ter qualquer ilusão de que um suposto sentimento “nacionalista” e “patriótico” de um governo sitiado por militares não estaria a serviço da privatização do patrimônio público. A gestão Bolsonaro, aliás, promete ser mais entreguista que Michel Temer ou Fernando Henrique Cardoso (FHC).

O que assistimos hoje no nosso País se parece muito com outra ditadura latina: o Chile, de Pinochet. Aliado aos tais “Chicago Boys” – mesma “laia” de Paulo Guedes e Roberto Castello Branco – seu governo foi laboratório de um projeto ultraliberal, responsável por implementar uma reforma da previdência tão maléfica e nos mesmos moldes da atual proposta de Bolsonaro. Vivemos, cada vez mais, a ditadura dos mercados.

Se o Chile hoje, assim como toda a América Latina, repudiam seu passado vergonhoso e autoritário, nós ainda convivemos com fantasmas de um período que parecia ter ficado pra trás. Nunca foi tão importante seguir lutando pela memória, pela verdade e pela justiça sobre o período mais triste da nossa tão falha democracia.