Regap completa 51 anos sob ameaça de privatização de governo Bolsonaro Regap completa 51 anos sob ameaça de privatização de governo Bolsonaro

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 29 de março de 2019

Neste sábado, 30 de março, a Refinaria Gabriel Passos (Regap) completa 51 anos. Foram cinco décadas anos de muita luta e resistência dos trabalhadores organizados por meio do Sindicato para que a refinaria permanecesse estatal e atendendo aos interesses e necessidades do povo brasileiro.

Na década de 1990, durante os governos de Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, a Regap e todo o Sistema Petrobrás sofreram alguns dos mais graves ataques de sua história.

Mas os trabalhadores resistiram. Em 1994, 22 trabalhadores da Regap foram punidos com suspensão e outros sete foram demitidos após greves reivindicando reajustes salariais e o cumprimento de acordos.

Já em 1995, com Fernando Henrique na Presidência, a categoria petroleira realizou em todo o País a maior greve de sua história, com duração de mais de 30 dias, impedindo a privatização da Petrobrás. Na ocasião, a greve foi considerada ilegal e o Exército ocupou as refinarias no Paraná (Repar), Paulínia (Replan), Mauá (Recat) e São José dos Campos (Revap). Em maio daquele ano, os petroleiros receberam seus contracheques zerados. Já os sindicatos e a FUP tiveram contas bloqueadas, o repasse das mensalidades dos associados retido e os bens penhorados, além de multas.

“Essa greve atrasou por alguns anos os planos de vender a Petrobrás e suas refinarias. Desarticulou os planos privatistas de entregar as unidades pacificadas. A preparação para vender as refinarias continuaram, mas os compradores não queriam unidades revoltadas. Então, a venda demorou. Chegaram a vender a refinaria do Rio Grande do Sul para uma empresa espanhola, mas ela voltou para a Petrobrás no governo Lula. Nossas experiências de luta mostram que é fundamental resistir. A vitória pode não vir de imediato, mas com certeza virá”, relembra o ex-diretor do Sindipetro/MG, Getúlio Fioravanti.

Nova ameaça de privatização

Agora, em 2019, não é diferente. Mais uma vez, a resistência dos trabalhadores é colocada à prova com a venda já anunciada do refino pelo atual presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco.

Essa ameaça já estava colocada desde o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. Foi nessa época que, ao assumir a presidência da Petrobrás, Pedro Parente propôs um plano de desinvestimentos e iniciou a venda de importantes ativos da Petrobrás, como a Liquigás, a BR Distribuidora e áreas do pré-sal.

Antes de cair (em junho de 2018, devido a greve dos petroleiros e dos caminhoneiros), Parente ainda chegou a anunciar a venda de parte do refino. O plano era desfazer de 60% de quatro refinarias, divididas em dois grandes blocos: Sul e Nordeste.

Estavam na mira do projeto as refinarias Presidente Getúlio Vargas (Repar), Abreu e Lima (RNest), Landulpho Alves (RLam) e Alberto Pasqualini (Refap) – que juntas representam quase 40% de toda a capacidade de refino do Brasil.

Mas, com Castello Branco à frente da Petrobrás, a ideia parece ser mesmo deixar completamente o setor, o que inclui a Regap. Em recentes declarações à imprensa, o presidente da estatal fala em “ter pelo menos uma venda de refinaria este ano” e que “não existe nada inegociável, tudo depende do preço”. Também já afirmou que “o projeto de venda vai ser diferente do que já foi anunciado. A empresa pode comprar a refinaria e alugar serviços (de infraestrutura)”.

Segundo o diretor do Sindipetro/MG, Felipe Pinheiro, o projeto permaneceu voltado à privatização, mas a lógica utilizada por Castello Branco parece ainda mais perversa do que o plano anterior de venda de ativos.

“Ele já anunciou que vai reformular todo o projeto privatista e deixou claro que não quer a Petrobrás no setor do refino, inclusive no Sudeste – que concentra a maior produção e o maior mercado consumidor de combustíveis do Brasil. Então, não dá pra ficar torcendo para que a Regap fique de fora da privatização. Teremos de lutar juntos, petroleiras e petroleiros, pois todo o patrimônio nacional está à venda no balcão de negócios”.