Trajetória do Coletivo de Mulheres da FUP é retomada em Encontro Trajetória do Coletivo de Mulheres da FUP é retomada em Encontro

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 8 de abril de 2019

A trajetória do Coletivo de Mulheres da FUP foi tema do último painel do 7° Encontro Nacional de Mulheres Petroleiras, realizado entre os dias 5 e 7 de abril, em Vitória (ES). Ela foi retomada pela pesquisadora associada do Arquivo da Memória Operária do Rio de Janeiro IFCS-UFRJ, Mônica da Silva Paranhos, e por uma das criadoras do Coletivo, a petroleira e ex-sindicalista Marbe Noguerino.

Marbe iniciou sua apresentação retomando o contexto da criação do Coletivo – motivada a partir de um Congresso da FUP onde não houve representação feminina na mesa final e também não havia mulheres na chapa para a direção da instituição. “Quando questionamos à direção da FUP nos foi dito que tínhamos de nos organizar. E isso ficou em nossas cabeças até que iniciamos conversas com a CUT, CNQ [Confederação Nacional do Ramo Químico da CUT] e no Sindipetro Unificado – de onde eu venho. A partir daí, organizamos o primeiro encontro regional de mulheres petroleiras em São Paulo e em 2011 fundamos o Coletivo de Mulheres da FUP”.

Ela contou ainda que a conjuntura era favorável pois a presidente do Brasil era Dilma Rousseff e a presidência da Petrobrás também era ocupada por uma mulher, a Graça Foster. Já no primeiro encontro nacional organizado pelas petroleiras houve a participação da Graça e as dirigentes também conseguiram uma reunião com a então presidente da empresa – que serviu de pontapé inicial para a conquista de inúmeros direitos hoje assegurados no Acordo Coletivo de Trabalho da categoria, como a extensão das licenças maternidade e paternidade, a garantia da família em casos de transferência de trabalhadores casados, a redução de jornada para o aleitamento, a disponibilização de salas de amamentação nas unidades da empresa para as lactantes.

Já Mônica Paranhos acompanhou toda a trajetória do Coletivo em função de uma pesquisa de doutorado que realizava na época em que estava sendo promovido o 1° Encontro Nacional de Mulheres Petroleiras da FUP, cujo tema foi “Lugar de Mulher É Onde Ela Quiser”. “Esse lema tinha tudo a ver com o contexto pois era um momento de consolidação do coletivo e do espaço da mulher”.

Ela também afirmou que agora o contexto é outro e lamentou a desativação da Subcomissão de Diversidade na Petrobrás – ocorrida durante o governo Michel Temer e presidência de Pedro Parente. A subcomissão tinha, inclusive, participação do Coletivo de Mulheres da FUP. “A reativação da subcomissão volta agora para a pauta das mulheres porque sua extinção é um grande retrocesso”, afirmou.

Encaminhamentos

Ao final do painel , a diretora do Sindipetro ES, Priscila Patrício, a coordenadora do Coletivo de Mulheres e diretora do Sindipetro Caxias, Andressa Delbons, a diretora do Sindipetro São Paulo, Cibele Vieira, receberam os encaminhamentos, resoluções e moções das petroleiras presentes no 7° Encontro Nacional de Mulheres Petroleiras.

Foram apresentados encaminhamentos sobre cursos de formação em feminismo para dirigentes sindicais, a reativação da Subcomissão de Diversidade da Petrobrás, a implantação das salas de amamentação nas unidades da empresa, a produção de uma cartilha com os direitos da petroleira e do petroleiro ao ter filho, entre outras coisas.

Andressa Delbons encerrou o evento lembrando que o lema “Somos Todas Irmãs” – que remonta à luta operária de meados do século XIX. “Nós do coletivo pensamos que agora é um momento propício para fazer esse resgate histórico de valores do movimento das trabalhadoras e trabalhadores. Precisaremos de muita coragem, força e união para atravessar mais esse momento político desfavorável. Só assim conseguiremos êxito nas lutas contra as privatizações, retiradas de direitos trabalhistas”.

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