Em atos neste dia 30, petroleiros responderão a Castello Branco Em atos neste dia 30, petroleiros responderão a Castello Branco

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 29 de abril de 2019

Os petroleiros precisam mostrar para o atual presidente da Petrobrás a força que a categoria têm. Uma força que nasceu junto com a descoberta do petróleo, que se tornou gigante com a descoberta do pré-sal e que vai ressurgir como ultimato na mobilização neste dia 30 de abril. A categoria vai responder ao ataque que sofreu e que foi feito pelo seu próprio presidente.

Quando Castello Branco anunciou que vai vender 8 das 13 refinarias brasileiras, ele mexeu com a categoria mais forte e organizada deste País. Ao listar as refinarias, ele listou o nome de todos os empregados da Petrobrás, inclusive os das unidades que não estão na lista de venda imediata.

Refinaria Abreu e Lima;
Unidade de Industrialização do Xisto;
Refinaria Landulpho Alves (RLam);
Refinaria Gabriel Passos (Regap);
Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar);
Refinaria Alberto Pasqualini (Refap);
Refinaria Isaac Sabbá (Reman);
Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor);

Para onde vão os trabalhadores destas refinarias? Serão vendidos junto com as máquinas e as ferragens? E se forem, terão a garantia do cumprimento dos mesmos direitos conquistados pela luta ao longo da história da empresa? Continuarão estes empregados a ter direito a AMS, Petros e todos os benefícios adquiridos pelo mérito de terem conseguido trabalhar numa grande empresa estatal?

O que farão os bravos defensores da soberania energética do seu País que agora se encontram com a sensação de terem sido enganados pelas mentiras de Castello Branco?

Mentiras sim. Mentiras repetidas muitas vezes, acabam se tornando verdades. E é o que está acontecendo com a fala do atual presidente da Petrobrás, quando afirma que haverá concorrência com a venda das refinarias e que isso irá baratear os preços dos combustíveis. Será mesmo que se pode chamar isso de concorrência?

Concorrência não. A privatização da Petrobrás não se trata de uma simples concorrência. Se conseguirem vender as refinarias brasileiras, o máximo que vai acontecer é a formação de um cartel, onde o preço dos derivados será combinado entre as 8 empresas que comprarem as refinarias e isso não garantirá que o preço dos combustíveis vá baixar.

Pelo contrário, o governo deixa de ter responsabilidade sobre as refinarias privatizadas, onde não há nenhum tipo de compromisso com o controle de preços, ao contrário do que acontece em uma empresa estatal que tem o governo federal como responsável por controlar preços e responder à sociedade.

Como principal acionista, o governo tem o dever de promover políticas públicas para defender o interesse dos brasileiros e está na Lei 9478 que é obrigado a abastecer o mercado interno. Mas, Castello Branco quer transformar um monopólio estatal num monopólio privado.

Ou ainda, passar de um monopólio para um oligopólio. A diferença entre monopólio e oligopólio é que no monopólio existe apenas um fornecedor que domina o mercado, enquanto que no oligopólio existem poucos fornecedores do mesmo produto. A questão é que, enquanto a Petrobrás se mantiver estatal, sua orientação deve ser em nome do interesse coletivo, e não baseada exclusivamente em critérios econômico e financeiros. O petróleo não pertence à Petrobrás, é da União, é do povo, o que significa que a prioridade no uso das riquezas geradas por ele deve ser dada à sua população, aos brasileiros.

“O momento em que estamos vivendo é grave e se nós que somos petroleiros não defendermos a Petrobrás, ninguém mais vai defender. ”Este é o apelo de José Maria Rangel, coordenador geral da FUP que lembra outra grande reflexão a ser feita pela sociedade, e imprescindível à categoria: “se os petroleiros produzem quase todo o combustível que os brasileiros consomem, por que então os preços têm que seguir a política internacional?”

Lute pela Petrobrás e pela soberania energética como você luta pelo seu arroz com feijão de todos os dias, pois se a defesa da Petrobrás não começar pelos petroleiros, ninguém mais vai defender.

A mentira desmascarada

A categoria petroleira tem autoridade e credibilidade para responder e afirmar que a fala do presidente da Petrobrás é uma falácia e que, a prova disso está nos índices mostrados no gráfico elaborado pelo Ineep.

No gráfico fica nítida a relação entre a importação e o aumento do preço dos combustíveis. Quando a Petrobrás perde espaço no mercado e aumenta a quantidade de importação de barris de petróleo, aumenta o preço do combustível. É a prova da interferência do mercado internacional no preço que o brasileiro paga pelo combustível.

A gasolina brasileira é a segunda mais cara entre os países produtores de petróleo, segundo consultoria Air-Inc. Diferente do que acontece em outros países também produtores, mas que dão subsídios que garantem o preço da gasolina mais baixo e não atrelado ao do mercado internacional.

País/Preço da gasolina em US$/litro

Noruega 1,89
Brasil 1,34
Angola 0,97
Gabão 0,94
China 0,92
México 0,82
EUA 0,62

Então, com qual lógica é possível defender a privatização, se ao vender as refinarias brasileiras a Petrobrás está abrindo mão de ter autonomia para gerenciar o seu preço?

Como está não pode ficar, e é por isso que o principal motivo da mobilização dos petroleiros no próximo dia 30 de abril, é a venda das refinarias e a ameaça de privatização que, são as causas do aumento do preço dos combustíveis.

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