Vazamento de combustível coloca em risco população de Duque de Caxias Vazamento de combustível coloca em risco população de Duque de Caxias

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 29 de abril de 2019

Uma criança de 9 anos ficou contaminada após uma tentativa de furto de combustível causou o vazamento de gasolina de um oleoduto em Duque de Caxias, Baixada Fluminense, na madrugada de sexta-feira (26). Ela está internada no hospital público da cidade e, segundo informações do Sindipetro Caxias, há a necessidade de transferência para um hospital especializado em queimaduras no Rio de Janeiro, mas a Transpetro estaria se negando a pagar os custos.

Ainda segundo o Sindicato, a menina teria desmaiado devido a atmosfera contaminada e perdido os sentidos. Com isso, ela caiu dentro de uma poça de gasolina, sofrendo queimaduras em 80% do corpo, além de queimaduras das vias aéreas por ter respirado vapores tóxicos e ingerido combustível na queda.

Além da criança ferida, pelo menos três cães e dois gatos teriam morrido devido à contaminação.

O vazamento deixou ainda uma grande faixa de terreno contaminado e a gasolina começou a evaporar formando uma atmosfera explosiva. Muitos motoristas que passaram no local sentiram cheiro de gás. Se a concentração fosse maior, poderia ter nos carro uma fonte de ignição para se iniciar uma explosão.

Falta de segurança

Náo é de hoje que a falta de segurança dos dutos da Petrobrás operados pela Transpetro coloca em risco toda a população de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Devido à falta de efetivo e de manutenção, os trabalhadores não garantem mais a integridade dos dutos nem sua operação segura,.

O projeto de faixa de duto, que incentivava a população a cuidar dos dutos, acabou. Com isso, os dutos de petróleo, gasolina, diesel, e gás ficaram à mercê da própria sorte.

A população de Duque de Caxias poderia ser conhecida hoje por uma grande explosão seguida de incêndio devido a um furto de gasolina em um duto que passa na zona rural da cidade.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) já havia se reunido com a Agência Nacional de Petróleo (ANP) – responsável pela fiscalização dos dutos – no dia 16 de janeiro de 2017 para tratar do problema de insegurança. A Federação estava preocupada com a ‘mexicanização’ dos dutos no Brasil, isto bem antes do acidente ampliado no México, em 20 de janeiro de 2019, que teve mais 60 mortos.

O México tinha um histórico de furtos e acidentes em dutos, tendo mais de 10 mil registros por ano. No Brasil, este processo também ocorre, mas em menor número. Até 2016, tínhamos uma média de 70 furtos por ano e nada foi feito pela ANP e os acidentes se ampliaram.

Cobranças

O Sindipetro Caxias lamenta a atitude da Transpetro/Petrobrás por não tomarem nenhuma providência em relação à saúde de uma criança atingida por um acidente com dutos da empresa.

Também denuncia a companhia por não acionar nenhum protocolo de segurança, conforme prevê a Convenção sobre a Prevenção de Acidentes Industriais Ampliados 174 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil em 2012.

Por fim, o Sindicato lembrou que 28 de abril foi o Dia Mundial em Memória as Vítimas de Acidente de Trabalho. Acidentes podem ser prevenidos, pois para muitas vítimas não têm volta.

Com informações do Sindipetro Caxias