Fechamento de Usina de Biodiesel em Montes Claros vai prejudicar 9 mil famílias Fechamento de Usina de Biodiesel em Montes Claros vai prejudicar 9 mil famílias

Diversos, Notícias, Tribuna Livre, Novidades, Política | 1 de maio de 2019

O fechamento da Usina de Biodiesel Darcy Ribeiro, em Montes Claros, tem potencial de prejudicar milhares de pessoas envolvidas na cadeia produtiva de biodiesel no Norte de Minas, como foi alertado em audiência pública na última terça-feira (30). Segundo informações apresentadas na audiência, a Usina Darcy Ribeiro gera 150 empregos diretos e trabalho produtivo para nove mil famílias que fornecem insumos para a geração de energia.

A audiência, articulada pelo Sindipetro/MG e o mandato da deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), debateu a importância socioeconômica da Usina para o desenvolvimento do Norte de Minas Gerais. A reunião foi realizada pela Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Segundo o diretor técnico do INEEP, William Nozaki, o projeto de investimento no setor de biocombustíveis no Brasil no governo Lula é uma tendência mundial. Ao anunciar a saída do setor, a Petrobrás vai na contramão do mundo. “2009 foi o ano em que a Europa aprovou um programa de promoção de energia renovável que colocou o biodiesel no centro das discussões internacionais. Foi o mesmo ano que as usinas foram inauguradas no Brasil. Estávamos em consonância com o resto do mundo e hoje estamos na contramão dele”, disse.

Ex-trabalhador da Usina de Biodiesel de Quixadá (CE), o petroleiro Douglas Uchôa contou que o fechamento da Usina em 2016 acabou com 170 empregos na região. Além disso, 2 mil famílias que produziam para a usina deixaram de ter compradores para escoar sua produção e 800 cooperados que coletavam óleo de cozinha na Região Metropolitana de Fortaleza e vendiam para a Petrobrás não têm mais para onde escoar o produto.

Uchoa explicou que a Usina Darcy Ribeiro, assim como as duas outras localizadas no semiárido, foi fundada em 2009 como parte de um projeto nacional de desenvolvimento de energia renovável com a diretriz de inclusão social. Segundo ele, desde que Michel Temer (PMDB) assumiu a presidência do País, iniciou-se um desmonte desse projeto, que está se aprofundando com Jair Bolsonaro (PSL). O novo direcionamento é privatizar grande parte dos negócios da Petrobrás, que vai focar apenas em exploração de petróleo cru.

O diretor do Sindipetro-BAhia, Deyvid Bacelar, comentou sobre as ameaças de fechamento que a Usina de Biodiesel Candeias, na Bahia, também sofre.

Já o diretor do Sindipetro/MG e da FUP, Alexandre Finamori, ressaltou o papel social desempenhado pela Petrobrás nas regiões do semiárido brasileiro, onde estão os maiores polos de pobreza do País. ”

Meio ambiente

Ao longo da década em que se desenvolveram as três usinas houve também grande ganho tecnológico, como destacaram os participantes da reunião. Douglas Uchoa, do Ceará, lembrou que quando se iniciaram os trabalhos em Quixadá, não se sabia como exatamente extrair energia dos insumos disponíveis na região. “Foi um desafio imenso, mas nós, petroleiros, entendíamos que aquilo fazia parte de um grande projeto de país, que era uma iniciativa nobre de desenvolvimento social. Conseguimos então desenvolver toda a tecnologia”, disse lembrando que hoje essa tecnologia é exportada para outros países. Com o possível fechamento das três usinas, porém, Uchoa lamenta que todo o conhecimento acumulado pode se perder.

Foram apontadas, ainda, as perdas ambientais, já que o investimento em biocombustível tem como razão principal a redução na emissão de gases de efeito estufa. Uma mesma quantidade energética emite, em sua produção, 78% menos desses gases do que o equivalente a partir de combustíveis fósseis como o petróleo, de acordo com os convidados. A energia, nessas usinas, é produzida a partir de insumos orgânicos de fácil adaptação na região do semiárido, como mamonas.

Apoio

Além dos representantes da categoria petroleira, participaram da audiência pública as deputadas Beatriz Cerqueira e Leninha, além dos deputados Betão (PT) e Celinho do Sintrocel (PC do B). Eles manifestaram apoio à luta contra o fechamento da Usina de Biodiesel Darcy Ribeiro. Beatriz Cerqueira, autora do requerimento que deu origem à reunião, apresentou requerimento para realizar nova audiência pública com o objetivo de tratar das consequências econômicas e trabalhistas das estratégias adotadas pela Petrobrás.

O secretário geral da CUT-MG, Jairo Nogueira, também participou da audiência pública e ressaltou como o interesse do setor privado está influenciando as políticas de desmonte das empresas públicas brasileiras.

A audiência é resultado de uma articulação do Sindipetro/MG com o mandato da deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), fechada em uma reunião no dia 2 de abril. A articulação com a deputada também resultou em outra audiência pública, prevista para o mês de maio, e que abordará os impactos da atual política de preços de combustíveis adotada pela Petrobrás para a população brasileira.

*Com informações da ALMG