Abertura do 33° Congresso dos Petroleiros de Minas debate prejuízos da privatização Abertura do 33° Congresso dos Petroleiros de Minas debate prejuízos da privatização

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 20 de maio de 2019

“Por que privatizar faz mal ao Brasil?”. Esse foi o tema da plenária de abertura do 33° Congresso Estadual dos Petroleiros de Minas Gerais, que aconteceu na última sexta-feira (17), no Sindipetro/MG. Participaram do debate o coordenador geral do Sindicato, a pesquisadora do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), Carla Borges Ferreira, e o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile.

A pesquisadora do Ineep fez um histórico do petróleo no mundo e explicou as disputas em torno do combustível fóssil. “O petróleo ainda é a principal fonte de energia do mundo. Sua importância geopolítica surge no início do século XX, na iminência de que o petróleo é um combustível mais eficiente que o carvão. Nos anos 2000, os Estados Unidos começaram a voltar o olhar para a produção do petróleo nas Américas Latina e Central e para a África. Com a descoberta do pré-sal em 2007, o Brasil passou a ser visado internacionalmente, já que o pré-sal tem uma grande reserva com exploração já viabilizada”.

Carla Borges também criticou a postura do atual governo brasileiro, que vai na contramão do que está acontecendo no mundo todo. “O Brasil poderia ser um importante player na disputa internacional e garantir sua soberania energética; e poderia pautar mais a política de preços em vez de obedecer a política de preços internacional. Muito do patrimônio que está sendo vendido, é vendido para estatais estrangeiras. Ou seja, não é nem um processo de privatização, estamos abrimos mão de nossa soberania para outro país obtê-la”.

Já João Pedro Stédile fez uma análise da conjuntura partindo do contexto histórico geral, passando pela história do capitalismo no mundo e sua crise mais recente – que teve início em 2008 e atinge todos os países tendo em vista a globalização. Entre as consequências dessa crise estão o aumento da pobreza, do desemprego e da desigualdade social.

Também passou pela questão da privatização x soberania nacional e citou um dado recente divulgado pela imprensa do lucro líquido das oito maiores estatais brasileiras em 2018, que somou R$ 74 bilhões apesar da crise econômica. “Quando o capital financeiro vê R$ 74 bilhões dando sopa, ele então quer esse dinheiro pra si. Então, a privatização das estatais é uma necessidade que o capital financeiro tem”.

Ele avaliou ainda a guinada à direita que diversos países estão apresentando desde a eleição do Donald Trump, nos Estados Unidos. Após ele, governos de extrema direita foram eleitos na Ucrânia, Hungria e, agora, mais recentemente no Brasil, em El Salvador e na Espanha, todos com apoio de uma ferramenta que passou a ser decisiva nas eleições que é a internet. “A luta ideológica assumiu certa centralidade na política que nós não imaginávamos e o controle da ideologia pela internet, pelo WhatsApp”.

Porém ele apontou que os diferentes grupos que compõem o atual governo Jair Bolsonaro e as contradições internas dessa gestão podem acabar por inviabilizá-lo antes do final do mandato. “No governo, há pelo menos três blocos: o dos militares, o dos Chicago Boys e o do próprio Bolsonaro – que não tem base social real, o que ele tem são a Polícia Militar e o baixo clero do Exército que não somam 8% da população brasileira. Isso não segura um governo”.

Por outro lado, ele também fez uma crítica à esquerda nas últimas eleições, não pela derrota nas urnas mas pela derrota ideológica. “Nós tivemos uma derrota política grave nas eleições porque a nossa base votou no Bolsonaro. Ou seja, nossa ideias não convencem mais a nossa classe e aqui há uma obrigação de fazermos uma autocrítica acerca dos nosso métodos de convencimento da classe trabalhadora e reorganizar nosso trabalho de base”.