Categoria petroleira de Minas debate desafios na luta contra a venda da Regap Categoria petroleira de Minas debate desafios na luta contra a venda da Regap

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 20 de maio de 2019

A categoria petroleira de Minas Gerais participou de um debate sobre os desafios na luta contra a privatização da Petrobrás que aconteceu na manhã do último sábado (18). A mesa foi composta pelo coordenador geral do SINTELL-MG durante o processo de privatização das empresas de telecomunicações na década de 1990 e pelo representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás, Danilo Silva.

Pedro Jaime relembrou o processo de privatização das telecomunicações no Brasil na década de 1990. “Entre as consequências da privatização, houve o aumento do custo para manter uma linha telefônica. Antes, a telefonia local era muito barata: R$ 0,40 um pacote mensal para 60 ligações. Já a ligação interurbana era mais cara: R$ 15, valor que financiava a telefonia local. Hoje, o pobre banca mais a telefonia móvel do que o rico”, relatou.

Jaime afirmou, ainda, que uma das dificuldades no enfrentamento à privatização das empresas públicas é deixar claro para a população porque privatizar é ruim. No caso da telefonia, por exemplo, ele relatou como as pessoas percebem que o acesso ao telefone melhorou com a privatização, mas não notam como o preço aumentou e a lógica inverteu: antes, quem fazia ligações interurbanas (geralmente empresas fazendo negócios), pagava mais caro para que as ligações locais (mais usadas pela população em geral) fossem mais baratas. Hoje, é o contrário.

Já o representante dos trabalhadores no CA da Petrobrás, Danilo Silva, destacou como a intenção da atual gestão da Petrobrás de vender as refinarias, entre outras unidades, vai na contramão de outros governos, como o canadense.

“O Canadá, por exemplo, que é um país que tem uma legislação ambiental muito forte aumentou sua produção de carvão. Por que? Porque ninguém abre mão de energia”, afirmou.

Sobre a venda das refinarias, Danilo destacou como o desinvestimento no setor é um mau negócio para a Petrobrás. “Em 2020 entrará em vigor uma nova diretriz para o nível de enxofre nos combustíveis marítimos. Nossas refinarias já estão preparadas para isso e estamos abrindo mão de todo o investimento que já foi feito”, disse.

Para o conselheiro, a mobilização dos trabalhadores deve ser feita através do diálogo. “Temos que dialogar quantas vezes forem necessárias para convencer nossos colegas de que a privatização é ruim para todos nós. E que só com a luta e unidade da categoria conseguiremos resultados”.