Todo apoio à greve dos petroleiros uruguaios Todo apoio à greve dos petroleiros uruguaios

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 12 de junho de 2019

A FUP e seus sindicatos voltam a manifestar apoio incondicional à greve dos petroleiros uruguaios contra as arbitrariedades dos gestores da Petrobrás, que controlam a MontevideoGas, responsável pela distribuição de gás natural no País. A greve, por tempo indeterminado, foi deflagrada nessa segunda-feira (10) e, segundo comunicado do sindicato dos trabalhadores, a população não será afetada pois haverá plantões para atender o fornecimento de gás e os casos de urgência.

Os cerca de 350 trabalhadores da MontevideoGas denunciam a precarização e as demissões, que ocorrem em função do desmonte que a empresa brasileira está promovendo no setor de gás do País vizinho.

A greve por tempo indeterminado é o mais recente capítulo de um conflito que se arrasta desde o ano passado. Entre outubro e novembro de 2018, 21 petroleiros uruguaios realizaram greve de fome por 25 dias para denunciar o desmonte do setor e os ataques contra os direitos dos trabalhadores.

Já em fevereiro deste ano, os gestores da Petrobras começaram a demitir os trabalhadores da empresa uruguaia, à revelia do que havia acordado com o sindicato. E no dia 26 de abril, o Conselho de Administração da Petrobrás aprovou um pacote de privatizações que incluiu a saída da empresa do setor de distribuição de gás do Uruguai.

Em nota divulgada nesta terça-feira (11), a Plataforma Operária e Camponesa de Água e Energia (Pocae), que conta com a participação da FUP e de seus sindicatos, repudiou as demissões na MontevideoGas e reafirmou apoio integral aos petroleiros uruguaio. Leia a íntegra:

A Plataforma Operária e Camponesa de Água e Energia (Pocae) manifesta o seu apoio e solidariedade à greve dos (as) trabalhadores (as) petroleiros (as) da distribuidora de gás natural do Uruguai, a MontevideoGas, que pertence à Petrobrás. A greve, por tempo indeterminado, foi deflagrada na segunda-feira (10).

Os cerca de 350 trabalhadores protestam contra a precarização do setor de gás natural e contra a demissão dos (as) trabalhadores (as), que ocorrem em função do desmonte que a empresa brasileira está promovendo no setor de gás do país vizinho.

Em nota, em 10 de maio de 2019, a Federação Única dos Petroleiros informou que o pacote de venda de ativos, aprovado pelo Conselho de Administração da Petrobras no dia 26 de abril, inclui a saída do setor de distribuição de gás do Uruguai.

Porém, o serviço de gás no Uruguai é uma concessão estatal. Existem 38.600 usuários que precisam desse serviço de acordo com suas necessidades, sob as condições do contrato de concessão.

Dessa forma, a Petrobrás precisaria da autorização do poder executivo para abandonar a concessão do serviço público de gás natural. Por essa razão, a empresa pretende gerar grandes conflitos com os (as) trabalhadores (as) e afetar os usuários, a fim de ter as melhores condições para negociar favoravelmente com o estado a sua saída do País.

A demissão de funcionários da Petrobrás intensificou o conflito dos trabalhadores com a estatal brasileira no Uruguai, após o anúncio de que a empresa se retirará do País.

“Em 25 de abril, nós ocupamos a empresa sob controle. A partir do dia 14 de maio, a Petrobrás demitiu 11 trabalhadores e suspendeu por 14 dias, com ameaça de demissão, 57 trabalhadores, ou seja, quase 60% da força de trabalho”, relatou Alejandro Acosta, dirigente do sindicato dos trabalhadores.

Alejandro Acosta relata que esse desmonte teve início com as privatizações da década de 1990. Diz, também, que o sindicato não pretende prejudicar os serviços essenciais, que segue em defesa do serviço público de gás e do direito de greve. Por fim, Acosta denuncia que a empresa está contratando terceirizados para realizar o trabalho dos grevistas e que a greve iniciada ontem irá se estender até que se resolva a situação dos (as) trabalhadores (as), mesmo que a Petrobrás saia do país, não irão aceitar nenhuma demissão.

A Pocae manifesta a sua solidariedade integral aos companheiros (as) uruguaios que, assim como os (as) petroleiros (as) brasileiros, denunciam a apropriação privada dos bens naturais do povo e da nação brasileira e os prejuízos que o controle do setor energético por empresas privadas causam tanto aos consumidores (as) quanto aos (as) trabalhadores(as).

Água e energia não são mercadorias!

Fonte: FUP