FUP e FNP cobram suspensão do Programa de Remuneração Variável FUP e FNP cobram suspensão do Programa de Remuneração Variável

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 2 de julho de 2019

Em nova reunião com a Petrobrás nesta segunda-feira (1°), FUP e FNP cobraram a suspensão imediata do Programa de Remuneração Variável dos Empregados (PRVE) – que viola o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e está sendo utilizado pela gestão Castello Branco para “alavancar” a privatização da empresa.

A Cláusula 77, no Parágrafo 9º, do ACT 2017/19, é clara: “A Companhia compromete-se a não vincular concessão de vantagens à redução de acidentes, bem como a não incluir meta de acidentes no GD dos empregados”. O PRVE, portanto, descumpre o Acordo Coletivo, ao vincular o bônus a indicadores de SMS.

Para cumprir as metas da gestão vale tudo, inclusive atropelar normas de segurança e trabalhar doente e/ou com dor. “O objetivo do PRVE é premiar os que contribuem para o desmonte da Petrobrás e tentar calar a boca dos que ousam resistir à privataria”, denunciaram as federações.

Os sindicalistas deixaram claro que o modelo de empresa que os trabalhadores defendem e o Brasil precisa não é o que está em curso na companhia. “Alguém aqui nessa mesa acredita que Castello Branco veio pra fortalecer a Petrobrás?”, questionaram. “É só olhar o histórico de vida dele. Ele não acredita no Estado como indutor do desenvolvimento nacional”, ressaltaram.

Roberto Castello Branco é formado na Escola de Economia da Universidade de Chicago, famosa por sua linha ultraliberal. A ideologia do Estado mínimo difundida pelos “Chicago Boys” embasou a política econômica de governos conservadores das décadas de 70 e 80, como Margaret Thatcher, na Inglaterra, Ronald Reagan, nos Estados Unidos, além da ditadura de Augusto Pinochet, no Chile.

Castello Branco vem aplicando esse pensamento por onde passa: empresas do setor de mineração (inclusive a Vale), mercado de capitais, comércio internacional e investimentos estrangeiros. Não por acaso, tem como mentor Roberto Campos, o papa do liberalismo no Brasil, que se referia à Petrobrás como “petrossauro”, por considerar a estatal uma “aberração”.

Ele segue à risca os passos do mestre. “Ninguém destrói mais valores da Petrobrás do que a atual alta gestão da empresa. Todas as declarações de Castello Branco são para acabar com a empresa, vendendo tudo que puder”, ressaltaram as federações, avisando que as direções sindicais não vão abrir mão do que defendem – uma empresa integrada, forte e desenvolvimentista – e que continuarão disputando os rumos da Petrobrás.

“É preciso e urgente a reação de todos os petroleiros e petroleiras para evitar o desmonte da nossa companhia”, convocam FUP e FNP.

Fonte: FUP