“Venda da Refap vai aumentar o preço dos combustíveis”, dizem especialistas “Venda da Refap vai aumentar o preço dos combustíveis”, dizem especialistas

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 12 de julho de 2019

Os petroleiros do Rio Grande do Sul lotaram a sala Adão Pretto da Assembleia Legislativa do Estado na última segunda-feira (8), onde aconteceu a Audiência Pública sobre os Impactos da Privatização da Refap. Os representantes dos trabalhadores e o especialista na área do petróleo, Paulo César Lima, denunciaram as mentiras ditas pelo governo Bolsonaro e explicaram por que a venda da Refap é um mau negócio para a sociedade gaúcha, e por que os preços dos combustíveis e gás de cozinha vão aumentar com a eventual privatização. A audiência foi uma iniciativa da deputada estadual Sofia Cavedon (PT) e teve a coordenação do presidente da Comissão de Serviços Públicos da Assembleia, deputado Jeferson Fernandes (PT), e do deputado federal Elvino Bohn Gass (PT/RS).

“Não se trata de ideologia, mas de matemática: a eventual privatização da Refap significará um aumento do preço da gasolina no Rio Grande do Sul. A explicação é simples: quem comprar terá de pagar alguns bilhões pela refinaria. E como a empresa recuperará esse gasto? Repassando ao consumidor. Além do mais, ninguém consegue produzir petróleo no Brasil a custos tão baixos quanto a Petrobrás. Assim, a empresa que ficar com a Refap terá de comprar petróleo da própria Petrobrás. E, de novo, esse custo será repassado ao consumidor. Então, não há a menor possibilidade de o preço da gasolina baixar. Ao contrário, como a empresa compradora terá muitos gastos, certamente o preço na bomba vai subir”. Quem afirma é um dos maiores especialistas do Brasil na área de petróleo, consultor técnico do Senado e da Câmara Federal, Paulo César Ribeiro de Lima.

Para o consultor, o grande desafio agora é furar a bolha e mostrar para a sociedade em geral o que está acontecendo com o País, citando como exemplo a venda da BR Distribuidora: “O que está acontecendo no Brasil é surreal. A BR em poucos meses estará privatizada. Isso não acontece em lugar nenhum do mundo. Pergunte a qualquer multinacional petrolífera, privada ou estatal, de qualquer lugar do mundo, se ela abre mão de sua bandeira. Pergunte para a Shell, por exemplo, se ela faria o que Bolsonaro está fazendo com a BR Distribuidora. O presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, ignora que a TAG dá lucro, que as refinarias dão lucro, que a BR Distribuidora dá lucro. Precisamos da união de bons brasileiros para lutar contra tudo isso”.

“Sob qualquer ponto de vista, a eventual venda da Refap é um mau negócio. Para a Petrobrás, que abre mão de um ativo caro, importante e estratégico como uma refinaria; para o Estado, que tem quase 16% de seu ICMS ligado à área do petróleo; e para o consumidor, que vai acabar pagando mais caro pelo combustível”, diz Bohn Gass, coordenador da Frente Parlamentar Nacional Mista em Defesa da Petrobrás, na região Sul. “A Petrobrás não está aqui para defender a sua política por que não tem como contestar os argumentos técnicos que foram expostos. E o governo do Estado, por que não veio? De certo que o governador Eduardo Leite não se preocupa com os mais de mil empregos que a Refap gera no Rio Grande do Sul”, afirmou Bohn Gass. A Petrobrás e o governo do Estado, convidados para a audiência, não mandaram nenhum representante.

O dirigente sindical, Dary Beck Filho, tratou de desmentir o principal argumento da Petrobrás para a venda da Refap e chamou todos para a mobilização que será realizada em frente à Refap, no dia 17 de julho: “Hoje, o preço dos combustíveis no Brasil segue o mercado internacional, ao menos é o que diz o governo. Pois bem, que empresa privada viria para o Rio Grande do Sul para vender combustível mais barato do que o do mercado internacional? Nenhuma! Então, é mentira que a venda da Refap vai gerar concorrência e fazer o preço da gasolina cair”.

O petroleiro apresentou um documento elaborado pela direção da Petrobrás que trata da “oportunidade de investimento da Refap”. Uma das vantagens apontadas no documento é que o comprador da refinaria estaria protegido devido à localização geográfica mais isolada dos principiais mercados internacionais e das demais refinarias do País. “Aqui não tem concorrência, Argentina não concorre, Paraguai muito menos. O grande ativo da Refap não é a unidade industrial, mas o mercado que essa empresa vai comprar e usar para cobrar o preço que bem entender”, explica. “Imagina um estado como o Rio Grande do Sul, baseado na agricultura, que usa óleo diesel para caramba, imagina o que vai acontecer com o custo de produção dos pequenos agricultores”, exemplifica.

Fonte: Sindipetro-RS com informações da assessoria do deputado Elvino Bohn Gass