Dallangol cria curso de como roubar R$ 2,5 bilhões da Petrobrás Dallangol cria curso de como roubar R$ 2,5 bilhões da Petrobrás

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 18 de julho de 2019

Já no primeiro módulo, os alunos inscritos participam de um networking (encontro para criar contatos comerciais) onde terão a oportunidade de conhecerem grandes empresários, acionistas e diretores do ramo do oil and gas (tudo em inglês para já ajudar no próximo módulo: “esquemão com os gringos”), além dos juízes e ministros – que ajudarão na fraude dos documentos que serão necessários para o desvio do dinheiro.

Parece brincadeira mas essa era a intenção do procurador da Justiça Deltan Dallagnol, desmascarado pela série de matérias “Vaza Jato”, publicadas pelo The Intercept Brasil. Ele se tornaria empreendedor educacional e surfaria na onda do “sucesso” da Operação Lava Jato, ensinando suas técnicas infalíveis.

E até onde sabemos, sua técnica era realizar esquemas junto à atual direção da Petrobrás. Em março deste ano, ele pretendia criar uma fundação de direito privado, com uma verba de R$ 2,5 bilhões extraída de multas pagas pela Petrobrás às autoridades norte-americanas (próximo módulo do curso) – orquestrando assim um (quase) perfeito esquema de desvio de dinheiro. Parece até aquele filme “Truque de Mestre”, mas é a realidade brasileira.

No mesmo mês, o coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, entrou com uma Ação Popular onde cobrava a anulação do “acordo” firmado entre a Petrobrás e o Ministério Público Federal (MPF), no qual pedia que os procuradores da Lava Jato devolvessem à Petrobrás os R$ 2,5 bilhões. Dias depois, Dallagnol anunciou o cancelamento do projeto, apenas duas horas antes da procuradora geral da República, Raquel Dodge ingressar no Supremo Tribunal Federal (STF, com uma ação de descumprimento de preceitos fundamentais.

Esta foi uma pequena ementa do curso de fraude e corrupção. No próximo texto, falaremos mais sobre a aula de “como ir com sua família de graça a um parque aquático”.

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Fonte: FUP