Petrobrás apresenta lucro “superfaturado” por privatizações Petrobrás apresenta lucro “superfaturado” por privatizações

Diversos, Notícias, De que lado você está?, Tribuna Livre | 2 de agosto de 2019

Às custas das privatizações, a Petrobrás registrou o maior lucro trimestral da história da estatal. Conforme balanço divulgado na última quinta-feira (1°), entre abril e junho deste ano, o lucro líquido da empresa foi de R$ 18,866 bilhões – o que representa uma alta de 87% frente a igual período do ano passado e de 370% em relação lucro líquido do trimestre anterior (lucro do primeiro trimestre de 2019 foi de R$ 4 bilhões).

O resultado positivo garantiu aos acionistas o recebimento de R$ 2,6 bilhões, na forma de juros sobre o capital próprio antecipados. Porém, todo esse montante foi “superfaturado” pela venda da Transportadora Associada de Gás (TAG) para a Engie por R$ 33,5 bilhões, além da venda de campos maduros, da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, da PO&G BV e do complexo de distribuição do Paraguai.

Ou seja, descontado o lucro obtido com a venda de ativos (itens não recorrentes), o lucro líquido da companhia foi de R$ 5,2 bilhões – um aumento de 30% na comparação com o trimestre anterior. Isso não só reforça a solidez da Petrobrás enquanto empresa pública, como também desmonta o mito de que a estatal está quebrada.

Mas, para além disso, há outros fatores no balanço que chamam a atenção. Um deles é o lento crescimento da produção e da venda de derivados de petróleo, a despeito do potencial gigantesco do pré-sal. Na avaliação do Ineep, isso se deve, em grande medida, à redução dos investimentos (apesar do aumento dos investimentos do segundo trimestre em relação ao anterior, a Petrobras revisou seu plano de negócios reduzindo a previsão de US$ 16 bilhões para US$ 11 bilhões) e, consequentemente, à demora para a entrada de operação de sondas e plataformas de produção.

Outro diz respeito ao quão prejudicial a privatização tem sido para a Petrobrás. No mesmo balanço em que comemora o lucro de R$ 18 bi, a empresa traz dados de gastos com aluguel de gasodutos da TAG – que até junho deste ano pertencia à estatal. Em pouco mais de 15 dias – entre a venda da TAG e o fechamento do balanço do segundo trimestre -, a companhia desembolsou R$ 248 milhões para usar a estrutura de transporte de gás e, até o final do ano, esse valor deve chegar a R$ 2,9 bilhões – o que corresponde a quase 10% do valor obtido com a venda da TAG em apenas seis meses.

“No 2T19, as despesas com vendas e gerais e administrativas foram de R$ 5,9 bilhões, um aumento de 6,0% em relação ao 1T19, principalmente devido ao aumento dos gastos logísticos para a utilização dos gasodutos da TAG (R$ 248 milhões), tendo em vista que a Petrobras passou a pagar pela utilização dos gasodutos após a venda de 90% de sua participação, em junho, e maiores gastos com pessoal em virtude de remuneração variável e concentração de férias no 1T19”, diz o documento Desempenho da Petrobras no 2T19. Em outro trecho, o relatório traz a previsão até o fim do ano: “A perspectiva de desembolso para o resto do ano de 2019 referente a utilização dos gasodutos da TAG é de R$ 2,9 bilhões e da NTS R$ 2,4 bilhões. Também a Nova Transportadora do Sudeste (NTS) foi vendida pela Petrobrás em 2017 à Nova Infraestrutura Fundo de Investimentos Participações (FIP), fundo gerido pela Brookfield, pelo valor de US$ 4,23 bilhões.

“Aqueles que se esforçaram para criar o mito da Petrobrás ‘quebrada’, hoje exaltam o resultado apresentado pela estatal. Mas, temos de estar atentos ao que significam esses números: eles foram inflados com dinheiro da entrega vergonhosa do patrimônio público e dos altos preços dos combustíveis para a população”, disse o diretor do Sindipetro/MG, Felipe Pinheiro.

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Texto: Thaís Mota – Sindipetro/MG