Acidente que deixou operador da Regap ferido com ácido sulfúrico completa um ano Acidente que deixou operador da Regap ferido com ácido sulfúrico completa um ano

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 6 de agosto de 2019

BETIM / BRASIL (27.03.2018) 50 anos da Refinaria Gabriel Passos, em Betim-MG.
© Washington Alves/Petrobras

Em 6 de agosto de 2018, a Refinaria Gabriel Passos (Regap) registrava seu mais grave acidente com vítima dos últimos anos.

Durante um teste de uma válvula do sistema de ácido sulfúrico 98% da U-47, no setor de Utilidades, uma conexão de um Indicador Local de Pressão (PI) se rompeu, emitindo um jato de ácido que atingiu três trabalhadores.

Dois deles tiveram ferimentos leves, porém, o operador Antenor Pessoa Cavalcante sofreu queimaduras graves no pescoço, cabeça, peito e parte do rosto, além dos braços.

Ele conta que lembra de tudo que aconteceu, inclusive, do momento exato em que foi atingido pelo ácido e pediu socorro pelo rádio. Mas, de todo o processo, o que mais o marcou foi a intensidade da dor. “O momento mais difícil foi o trajeto entre a refinaria e o hospital porque a dor era imensa e não havia medicamento forte para dor na refinaria. O que a Petrobrás tinha era Dipirona, que era insuficiente para a dor que eu sentia”.

Ao chegar ao hospital, Antenor conta que foi medicado com morfina e, em seguida, internado. Ele permaneceu na unidade de saúde por 36 dias, parte deles no Centro de Tratamento Intensivo (CTI). Ainda durante esse período, realizou diversos procebimentos cirúrgicos de desbridamentos e enxertias. E, até hoje, segue sendo acompanhado por fisioterapeuta e dermatologista, além de ter realizado procedimentos cirúrgicos para tratar as sequelas e cicatrizes do acidente.

Ele já está há um ano afastado da empresa e, deve permanecer fora da Petrobras pelo menos até dezembro deste ano. Mas, não teme voltar pois afirma gostar do que fazia. “Eu sinto falta da minha rotina e, se tivesse que voltar hoje, preferia voltar para o turno. Não me sinto traumatizado em retornar para a área. Minha maior restrição médica hoje é quanto à exposição ao sol e continuo em tratamento. Mas, confesso que nesse momento de guerra [diz ao se referir à ameaça de privatização das refinarias e demissão de trabalhadores], não sei se é melhor estar lá dentro ou aqui fora”.

No relatório que apurou as causas do acidente com Antenor, ficou constatado diversas falhas de gestão da Petrobrás, inclusive erros de projeto e a utilização de equipamentos e materiais inadequados para o sistema de ácido sulfúrico – que é altamente corrosivo.

“Todas as falhas que identificaram no relatório são coerentes e eu sei que trabalhamos expostos ao risco, mas me incomoda saber que parte dessas falhas poderiam ter sido evitadas sem grande esforço, ainda mais quando o discurso da empresa é de que ‘todo acidente pode ser evitado’. Inclusive, creio que, na semana anterior ao meu acidente, eu tenha ouvido isso de um gerente, mas sempre há um abismo entre discurso e prática”, relembra.

Na avaliação do Sindipetro/MG, o acidente foi claramente um resultado de problemas de gestão da empresa – que tem sistematicamente cortado investimentos em manutenção, inspeção e pessoal a qualquer custo – o que deixa os trabalhadores expostos a riscos.

Apesar da graves consequências dessa acidente e do resultado do relatório, a empresa manteve sua postura de descaso com manutenções e até mesmo com normas de segurança, inclusive intensificando o sucateamento da unidade tendo em vista a privatização da refinaria – anunciada em abril deste ano.

Somente este ano, o Sindicato já denunciou diversas irregularidades com equipamentos, além de casos de vazamentos de produtos químicos, e cobrou respostas da gerência da Regap. No entanto, pouco ou quase nada foi feito para solucionar os problemas.

“Uma das faces mais cruéis do processo de privatização é o sucateamento das nossas unidades. Assim como esse grave acidente no setor de Utilidades, outras ocorrências no último ano poderiam ter se tornado verdadeiras tragédias na Regap, alerta o coordenador geral do Sindipetro/MG, Anselmo Braga.

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