Navio plataforma contratado pela Petrobrás despeja quase 8 mil litros de óleo no mar Navio plataforma contratado pela Petrobrás despeja quase 8 mil litros de óleo no mar

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 28 de agosto de 2019

Mais 6,6 mil litros de óleo, além dos 1,2 mil litros já recolhidos, vazaram do navio plataforma Cidade do Rio de Janeiro, na Bacia de Campos. A informação é da Petrobrás, que confirmou este que é o segundo vazamento da unidade este ano. Em janeiro, um furo no casco da embarcação derramou 1,4 mil litros de petróleo no mar.

De acordo com a estatal, que retirou os trabalhadores da embarcação, o que causou o novo acidente foram trincas no casco do navio plataforma que pertence a empresa japonesa Modec, responsável por sua construção. A estatal também informou que sete embarcações estão no local recolhendo e dispersando o óleo.

O Cidade do Rio de Janeiro é uma plataforma do tipo FPSO (sigla em inglês para unidade flutuante de produção, armazenagem e transferência de petróleo). Nos tanques da plataforma é armazenada a produção que é transferida para navios que trazem o petróleo para o continente.

Com capacidade para extrair 100 mil barris de petróleo por dia, o navio-plataforma Cidade do Rio de Janeiro começou a operar para a Petrobrás em 2007, mas está sem produzir petróleo desde julho de 2018, à espera de desativação.

O coordenador-geral do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), Tezeu Bezerra, já havia alertado quanto aos riscos que unidades privatizadas representam para o meio ambiente e para os trabalhadores. Segundo ele, os riscos de acidentes são menores quando a operação é de responsabilidade da estatal que respeita as normas e investe mais em segurança.

“A FPSO Rio de Janeiro opera em um campo da Petrobrás, mas é uma plataforma privada”, explica o dirigente, concluindo que os acidentes “mostram a falta de compromisso do setor privado com a segurança”.

A privatização da Companhia Vale do Rio Doce (CRDV), em 1997, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, é lembrada pelo dirigente como exemplo de empresa comprada pela iniciativa privada que prioriza o lucro e não tem compromisso com a segurança dos trabalhadores nem com a preservação do meio ambiente.

“O que a Vale trouxe para o País foram os dois maiores desastres ambientais já vistos, em Mariana e Brumadinho. E em Brumadinho foi registrado também o maior acidente de trabalho da história”, afirma Tezeu.

“É por isso que estamos lutando contra a privatização da Petrobrás. Estamos lutando para que este tipo de situação não aconteça mais em nosso País”, conclui o dirigente.

Fonte: CUT | Texto: Marize Muniz