Trabalhadores dos Correios entram em greve dia 10 em todo o País Trabalhadores dos Correios entram em greve dia 10 em todo o País

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 4 de setembro de 2019

Sindicatos filiados a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) decidiram decretar greve geral por tempo indeterminado a partir das 22 horas do próximo dia 10 de setembro (terça-feira).

O secretário geral da Fentect, José Rivaldo da Silva, afirma que o desmonte dos Correios é um claro sinal de que o governo de Jair Bolsonaro (PSL) quer privatizar a empresa às custas dos trabalhadores e das trabalhadoras para entregá-la ao capital estrangeiro com menor custo. Esse sinal, inclusive, foi dado a partir da decisão da direção da empresa de suspender as negociações de um novo Acordo Coletivo, mesmo após o Tribunal Superior do Trabalho (TST) ter sugerido a prorrogação das negociações por mais 30 dias.

“Já cortaram o convênio médico dos nossos pais e mães. Eles querem empobrecer a categoria e deixar a empresa mais barata para facilitar o processo de privatização. Por isso, definimos pela greve geral para enfrentar o governo Bolsonaro e construir a resistência”, afirma José Rivaldo.

A direção dos Correios se recusa a manter os mesmos benefícios da categoria do último Acordo Coletivo, que venceu em 1º de agosto. A empresa quer retirar tudo que o que está “além” do que prevê a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). São eles:

  • Percentual sobre férias – Os trabalhadores dos Correios recebem 70% a mais sobre os salários no período de férias. A CLT exige 40%.
  • Tíquete refeição – Atualmente, o tíquete refeição cobre 26 dias do mês. Os trabalhadores recebem um talão extra no fim de ano que eles chamam de “tíquete peru de Natal” e um talão a mais no período das férias. A empresa quer retirar os dois talões extras e oferecer tíquetes refeição apenas para os dias trabalhados de segunda a sexta, o que reduz a média para 22 tickets ao mês.
  • Fim do auxílio creche e aumento do desconto referente ao plano de saúde – O atual custeio do plano de saúde é dividido em 70% de participação da empresa e 30% dos trabalhadores. A direção oferece uma contrapartida de 60% e quer aumentar para 40% a participação dos trabalhadores. Além disso, acaba o auxílio creche.

Atualmente, os Correios têm 99 mil trabalhadores. O auge foi em 2010 com 128 mil, mas após diversos planos de demissão voluntária, que se intensificou no governo ilegítimo de Michel Temer (MDB/SP), o déficit hoje está em 40 mil.

“Estamos conseguindo manter o funcionamento da empresa, mas não com o mesmo padrão de excelência, por falta de gente. Hoje, um carteiro ganha um salário inicial de R$ 1.729,06 para trabalhar oito horas por dia, andando de seis a oito quilômetros e carregando nas costas entre 30 e 40 quilos de correspondência. Retirar os benefícios vai deixar a profissão menos atrativa”, critica o secretário geral da Fentect.

Fonte: CUT