Petroleiros da Regap se mobilizam contra anúncio de privatização Petroleiros da Regap se mobilizam contra anúncio de privatização

Diversos, Notícias, De que lado você está?, Tribuna Livre | 16 de setembro de 2019

Petroleiros da Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, fizeram um atraso na entrada dos trabalhadores na manhã desta segunda-feira (16) em protesto contra a venda da refinaria. A privatização da unidade foi confirmada pela Petrobrás na última sexta-feira (13), com a divulgação de teasers de venda que incluem a Regap e outras três refinarias.

Por quase duas horas, a categoria debateu a privatização da refinaria – que já era esperada e só reforça o que o Sindipetro/MG já denunciava desde o governo Michel Temer sobre o desmonte na Petrobrás. Também destacaram os possíveis impactos da venda da Regap, como perda de soberania energética; aumento dos preços dos combustíveis devido à formação de monopólios regionais privados; riscos à segurança dos trabalhadores e populações do entorno das unidades; aumento do desemprego e da terceirização e, consequentemente, redução de salários dos trabalhadores; redução de investimentos e, até mesmo, queda na arrecadação de impostos.

Além disso, os trabalhadores também avaliaram o processo de negociação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), que teve início em maio e tem sido marcado por uma postura intransigente da empresa. Durante as negociações, a Petrobrás anunciou o fechamento de unidades e a transferência de trabalhadores; confirmou a venda de mais refinarias e campos de petróleo; ameaçou os trabalhadores durante as assembleias dos sindicatos; retirou cargos de empregados que foram contrários à sua última proposta de Acordo. Atualmente, a pedido da empresa, as negociações do ACT estão sendo mediadas pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), porém, também nesse caso, a empresa tem sido inflexível pois já garantiu que não apresentará nova proposta e que, caso não haja acordo até o dia 27 de setembro, a partir de 1° de outubro, a companhia suspenderá o atual ACT e adotará as regras previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

O ato contou com a participação do presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Correios e Telégrafos e Similares do Estado de Minas Gerais (Sintect-MG), Robson Gomes Silva. Os empregado dos Correios também estão lutando contra a privatização da empresa e, inclusive, estão de greve em razão de impasses com a direção da empresa na negociação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) da categoria. Em sua fala, ele ressaltou a importância de um movimento nacional dos trabalhadores das estatais contra as privatizações e em defesa da soberania nacional.

Segundo o coordenador geral do Sindipetro/MG, Anselmo Luciano da Silva Braga, a greve dos trabalhadores dos Correios é um exemplo, que deve ser seguido pelos trabalhadores de todas estatais que correm risco iminente de privatização. “Assim como em nossas mobilizações históricas, em 1995 e em 2018, a greve deles abre portas para o diálogo com a sociedade sobre os riscos para a população da privatização de uma empresa pública. Não temos dúvidas de que nossa greve também se avizinha, diante da insistência da direção da Petrobrás em destruir nossos direitos e entregar o patrimônio público a preço de banana”.

Além do atraso realizado nesta segunda-feira, o Sindipetro/MG promoverá novas reuniões na troca de turno dos trabalhadores nos próximos dias para debater com a categoria as estratégias de mobilização para a construção de um movimento que faça frente à privatização da Regap e de outras unidades da Petrobrás.