Com saída da Petrobrás, Nordeste terá combustível mais caro Com saída da Petrobrás, Nordeste terá combustível mais caro

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 19 de setembro de 2019

O economista Rodrigo Leão apresentou um cenário de riscos ao desenvolvimento do Nordeste caso a Petrobrás confirme sua saída da região. Leão, que é coordenador-técnico do Instituto de Estudos Estratégicos do Petróleo, Gás Natural e Combustíveis (Ineep), foi convidado a palestrar durante o encontro do Fórum de Governadores do Nordeste, na última segunda-feira (16), em Natal (RN).

Um dos temas centrais da reunião foi a perspectiva de fechamento dos negócios da Petrobrás em todo Nordeste: no mês passado, a empresa vendeu o chamado Polo Macau, no Rio Grande do Norte; e recentemente, a Petrobrás anunciou a desativação de sua sede em Salvador (BA). Ao tomarem conhecimento dos dados apresentados pelo Ineep, os governadores Rui Costa, da Bahia, e Fátima Bezerra, do Rio Grande do Norte, manifestaram publicamente sua preocupação. Fátima Bezerra, anfitriã do encontro, avisou que levará essas preocupações ao presidente da Petrobrás.

O Ineep vem estudando o tema de perto, com uma análise muitas vezes crítica às visões superficiais sobre a saída da Petrobrás do Nordeste. Os dados apresentados pelo Instituto lançaram luz sobre os riscos que os estados nordestinos enfrentarão com a venda de ativos, especialmente nas áreas de fertilizantes e refino. Para Leão, a venda das refinarias do Nordeste tem potencial de inibir de novos investimentos e irá encarecer o combustível na região.

Ainda segundo ele, o preço final na bomba será afetado pois o petróleo produzido pela Petrobrás é mais barato do que o importado. “A Petrobrás tem acesso ao óleo cru a preços menores do que os do mercado internacional. Quando uma estrangeira assume a refinaria, ela terá de pautar seu preço pelo preço internacional do óleo cru, o que encarece a produção. Podemos ter a situação de ver o Nordeste com combustíveis mais caros do que no Sudeste, por exemplo”, explica.

Além disso, entre 2011 e 2014, o Nordeste recebeu R$ 63,4 bilhões em investimentos no setor. No quadriênio seguinte, de 2014 a 2017, esse valor caiu para R$ 8,7 bilhões. “Uma coisa que pouca gente considera é que empresas interessadas em ingressar no mercado brasileiro teriam, por exemplo, a opção de investir na construção de seu próprio parque de refino local. Se a Petrobrás vende uma refinaria já pronta, obviamente a empresa compradora irá congelar qualquer projeto de construção”. Além disso, continua Leão, “a Petrobrás, ao longo desse período, realizou um conjunto importante de investimentos de melhoria das refinarias. A venda a uma companhia chinesa, por exemplo, significaria o fim desses investimentos”.

A situação na produção de fertilizantes não é diferente. A Petrobrás teria condição de retomar a atividade econômica das fábricas de fertilizantes (Fafens) no Nordeste. “O custo do gás sempre foi um fator que pesava na produção nacional de fertilizantes. Com o gás associado dos campos do pré-sal, a Petrobrás passou a conseguir gás abundante a preço barato. E justamente nesse momento, a empresa hibernou suas fábricas de fertilizantes. Num País que é um enorme consumidor, não faz sentido”.

Por último, o analista do Ineep falou também do mercado de trabalho. “Desde 2015, o setor teve uma queda de mais de 100 mil empregos no Nordeste. O grosso dos empregos está na expansão, em obras. Sem novos investimentos, a perspectiva é de que não haja retomada do emprego no setor”.

O Consórcio

O Consórcio Nordeste foi criado em março deste ano. Por meio dele, os estados nordestinos poderão fazer projetos conjuntos de infraestrutura, criar fundos de investimentos, construir parques tecnológicos interestaduais, entre outras iniciativas.

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Fonte: Blog do Ineep