Trabalhadores dos Correios suspendem greve, mas mantêm mobilização Trabalhadores dos Correios suspendem greve, mas mantêm mobilização

Diversos, Notícias, Tribuna Livre | 19 de setembro de 2019

Trabalhadores dos Correios de todo o Brasil decidiram pela suspensão da greve em assembleia nacional realizada na última terça-feira (17). No entanto, a categoria aprovou a manutenção da mobilização e aprovou estado de greve até o dia 2 de outubro, dia do julgamento do dissídio de greve no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

A decisão foi orientada pelos 36 sindicatos da categoria ligados à Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect),à Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e das Trabalhadoras dos Correios (Findect) e ao Comando Nacional de Negociação.

“Vamos aguardar o julgamento do dia 2, mas continuaremos mobilizados para reforçar a luta em defesa dos direitos, mas também contra as privatizações. O diálogo com a categoria é permanente porque a qualquer momento podemos sair em defesa da empresa”, afirmou o secretário-geral da Fentect, José Rivaldo da Silva.

“Já estamos conversando também com outras categorias de estatais ameaçadas de privatização para construir ações em conjunto para impedir mais desemprego e mais precarização no trabalho e nos serviços prestados à população”.

Movimento paredista

Os trabalhadores dos Correios iniciaram uma greve no dia 10 de setembro e 70% da categoria cruzou os braços para defender as pautas da campanha salarial: reajuste salarial e contra a retirada de mais de 40 cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2020.

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) entrou com uma ação para julgar a legalidade da paralisação, pedindo um dissídio de greve. Mas, antes disso, a categoria foi convocada junto com os representantes da empresa para uma audiência de conciliação no último dia 12, no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Sem proposta da empresa, o ministro Mauricio Godinho Delgado agendou a data do julgamento do dissídio para o dia 2 de outubro e manteve o Acordo Coletivo de Trabalho 2019 até lá.

“Neste momento, com a negociação já ajuizada e sem garantias de novos acordos até a data do julgamento, a Fentect orienta que os sindicatos se mantenham alerta e continuem a mobilizar contra a venda dos Correios e contra a tentativa de retirada de direitos da classe trabalhadora”, disse Rivaldo.

É possível resistir

Segundo as entidades que representam os trabalhadores, a unidade da categoria tem sido fundamental para a construção desta que foi a maior greve da história recente dos Correios. A categoria participou massivamente das assembleias em todas suas bases, decidiu coletivamente e de forma unânime todas as ações do movimento.

“A importância desta greve foi que, além de construir a unidade em todo País, a gente tá dizendo que é possível lutar contra o governo, contra as privatizações e essa pauta de retirada de direitos. É possível resistir e os trabalhadores e as trabalhadoras dos Correios deram essa prova. E, se precisar, vamos parar de novo porque não aceitaremos a retirada de direitos e nenhum retrocesso”, concluiu Rivaldo.

Fonte: CUT