Petrobrás avança em processo de venda da Regap e inicia fase não vinculante Petrobrás avança em processo de venda da Regap e inicia fase não vinculante

Diversos, Tribuna Livre, De que lado você está? | 7 de outubro de 2019

A Petrobrás anunciou na última sexta-feira (4) o início da chamada “fase não vinculante” referente à venda da Refinaria Gabriel Passos (Regap) em Betim (MG). Esse é mais um passo rumo à privatização da refinaria mineira e à entrega do mercado de combustíveis do Estado à iniciativa privada.

Nessa fase, os potenciais compradores habilitados “receberão um memorando descritivo contendo informações mais detalhadas sobre os ativos em questão, além de instruções sobre o processo de desinvestimento, incluindo as orientações para elaboração e envio das propostas não vinculantes”, segundo informou a própria Petrobrás.

Ao contrário do que ocorreu no primeiro lote de privatizações no refino – que inclui as refinarias Abreu e Lima (RNest), em Pernambuco; Landulpho Alves (RLam), na Bahia; Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná; e Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul -, dessa vez, a Petrobrás deu início à fase não vinculante apenas da Regap. As outras três refinarias colocadas à venda junto dela – a Isaac Sabbá (Reman), no Amazonas; a Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor), no Ceará; e a Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), no Paraná – ainda não estão nessa fase.

Essa medida reforça a hipótese levantada pelo Sindipetro/MG de que a Regap já tem um comprador: a Total. A empresa francesa já atua fortemente no pré-sal brasileiro e, no final do ano passado, comprou toda a rede de postos de combustíveis que pertencia ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Partido Novo) – ingressando também no mercado de combustíveis. O valor da transação não foi informado, mas é estimado em R$ 500 milhões.

Com receita anual de cerca de R$ 2,5 bilhões, a Zema Petróleo tem 280 postos, sendo a maioria deles na região Sudeste, e também atende postos classificados como “bandeira branca” (40% de sua operação), segundo levantamento do jornal Valor Econômico. A empresa possui uma fatia de mercado de pouco menos de 1%, mas era o maior negócio da família do governador do Estado.

Segundo o coordenador geral do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro/MG), Anselmo Braga, isso corrobora a tese de que a venda do refino visa atender mais a interesses estrangeiros do que ao povo brasileiro já que a privatização da Regap, bem como de outras refinarias da Petrobrás no Brasil, nada mais é do que a entrega do mercado consumidor de combustíveis do País a multinacionais internacionais.

“O que está à venda é o mercado de combustíveis do Brasil, que é um mercado lucrativo. Apesar de haver projeções de queda da demanda global por derivados de petróleo, uma estimativa da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) aponta que, no Brasil, a demanda por óleo diesel, por exemplo, deve crescer 24,8% até 2027. Isso atrai investidores externos que têm muito a lucrar no mercado interno brasileiro”, disse Anselmo Braga.

Ele falou ainda sobre que o Sindicato seguirá questionando – tanto na Justiça quanto por meio da mobilização dos trabalhadores – a privatização da Regap e de toda a Petrobrás. Inclusive, os dirigentes do Sindipetro/MG já propuseram uma ação popular contestando a venda da refinaria mineira. Também já há um processo movido por vários sindicatos de petroleiros apontando ilegalidades no acordo firmado entre a Petrobrás e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que autorizou a empresa a vender oito de suas 13 refinarias.

Total

A empresa francesa de energia Total é uma gigante no setor do petróleo mundial e tem receita anual é de US$ 140 bilhões. Em 2018, a petrolífera registrou lucro líquido de US$ 11,45 bilhões – um aumento de 33% em relação ao ano anterior.

A empresa já atua no Brasil na exploração de petróleo na camada pré-sal, com 20% do consórcio do campo de Libra e no campo de Sul de Gato do Mato, ambos na Bacia de Santos, além de ativos nas bacias de Campos, Barreirinhas, Ceará, Espírito Santo, Foz do Amazonas e Pelotas, totalizando 22 ativos.

Recentemente, a empresa decidiu ampliar sua atuação no Brasil apostando em diversas frentes que vão desde exploração e produção de óleo e gás a lubrificantes, produtos químicos e energia renovável – até, mais recentemente, à distribuição e comercialização de combustíveis.

Após a compra da Zema Petróleo – que inclui também sua revendedora e varejista Zema Diesel e a importadora Zema Importação -, a Total anunciou que pretende dobrar o número de postos que atualmente tem a bandeira Zema no Brasil em até 5 anos.

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Fonte: Sindipetro/MG